Redação Tribuna do Norte
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Agora foi a vez de Thiago Amparo, colunista da Folha de S. Paulo, citar Machado de Assis para explicar o pouco deste país meio inexplicável. Ele foi alertado pela atriz Fernanda Torres que outro dia sugeriu a leitura das ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, depois de circular como folhetim. Amparo vai buscar na boca de Brás Cubas a frase mais que secular e muito conhecida dos seus leitores: “…coube-me a fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto”.
Sabem os leitores que a ironia é um dos traços mais determinantes nos romances, nos contos, e nas crônicas do Bruxo do Cosme Velho. Daí a frase que para ser citada no seu contexto é esta: “Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto”. Sem ferir as vaidades, sejamos sinceros: a elite brasileira continua comprando o pão sem precisar suar o rosto.
É tanto que o jornalista Thiago Amparo vê o que chama de “Divina Comédia da Burguesia Brasileira, rentista e pouco produtiva”. E vai mais além: “Na economia política, a ficção se torna tragédia”. E cita os dados que retratam com mais eloquência as desigualdades sociais brasileiras que revelam a gravidade do quadro, agora no relatório do Oxfam Brasil – “Um retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia”. O que há de mais recente e mais técnico.
Thiago Amparo explica: “Quando se diz que a elite não compra o pão com seu suor, trata-se de uma descrição factual: enquanto os mais pobres obtêm sua renda do trabalho – tributável, visível e regulado – os mais ricos obtêm formas diversas de ganhos de capital, menos tributável e menos nebulosa. O 1% no topo controla sozinho 37,3% de toda a riqueza patrimonial declarada no país, metade dela do capital; enquanto a alíquota efetiva de imposto de renda do 1% mais rico é de 4,6%”.
O raciocínio dele é absolutamente lógico: “Poder econômico se reflete em poder político codificado, para usar o termo de Katharina Pistor”. Ora, é o que basta para se compreender a força das elites econômicas e sua capacidade de influenciar na aprovação de legislações garantidoras dos seus desejos. O Senado e a Câmara Federal, numa prática que sequer precisa ser discreta, representam os interesses das elites e não da sociedade brasileira no seu conjunto, blindando as suas engrenagens.
Irônico, até para honrar a frase de Machado de Assis que serve de inspiração ao seu artigo, Thiago Amparo não tem dúvidas: “O andar de cima come brioches com o trabalho alheio”. Com um agravante também grave: não temos mais elites pensantes nas câmaras altas do país, como no passado, formadoras do Congresso Nacional. Substituímos pela elite econômica, esse outro Brasil, como se o aprofundamento da desigualdade não fosse um perigo para os que se julgam acima de tudo e de todos.
PALCO
**QUINTA -Amanhã, 17h, o historiador Levi Carneiro, na Quinta Cultural do Instituto Histórico, responde à pergunta: “Onde fica Porto Seguro? Uma leitura da cartografia dos séculos XV ao XVIII.
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ESTILO – O imperador Donald Trump cuida de manter sua megalomania tirânica e assim ocupa o primeiro plano do noticiário. Mesmo quando é preciso tentar e atentar contra a liberdade de expressão.
PERIGO – Nas redes sociais, sem autoria, numa advertência diante de tantas denúncias graves nos três poderes: “O perigo não é perder uma campanha. É durante uma campanha perder a Democracia”.
DECALQUES – Natal é onde mais floresce, como se fosse verdadeira, a poesia-decalque nas suas colagens que imitam poemas. E não deixa de ser uma habilidade artesã e jeitosa de enganar os tolos.
ATENÇÃO – Serão encerradas dia 16 próximo as inscrições para o Teste Michigan, uma avaliação internacional com traição de mais de um da língua inglesa reconhecida por universidades e empresas.
COMO – Aqui no Estado a instituição credenciada para aplicar o Teste Michigan é o Colégio CEI nos três níveis para alunos do sétimo, oitavo e nono ano em diante. Inclusive para o público externo.
POESIA – De Donizete Galvão, versos do poema ‘Círculo’, do seu ‘A Carne e o Tempo’, o aviso a quem ama e não teme o amor: “A Deusa devora a todos / porque quer o corpo / e sua usina de desejos”.
PODRE – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, lendo as notícias de Daniel Vorcaro a comprar quem encontrou à venda: “Em Brasília, cidade do poder, até a riqueza, às vezes, apodrece”.
CAMARIM
SEGREDOS – Tem vazado pelos cantos de assessores boquirrotos dos candidatos Allyson Bezerra e Álvaro Dias que há pesquisas apontando vitórias em Natal de um e de outro. Se não há os números oficiais – são pesquisas para consumo interno – o vazamento já demonstra, por si só, que a luta é dura.
AGENDA – A advogada Ana Cláudia Porpino lança seu primeiro livro jurídico: “Convença-me se for capaz!”. Com subtítulo: “O método prático para criar petições convincentes”. O autógrafo vai ser quinta-feira, primeiro de outubro, no salão da Justiça Federal, às 18h. Samer Agi escreveu o prefácio.
PIOR – Um dado recente mostra que a redução do tempo de campanha eleitoral não passou de um engodo engendrado nos gabinetes do Senado e da Câmara. Custos estão mais elevados e direcionados não para garantir condições iguais de disputa, mas para proteger a reeleição de quem já tem mandato.
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