Redação Tribuna do Norte
•
•
00h07

A Copa do Mundo sempre vendeu a imagem de um grande festival esportivo. Durante um mês, o planeta parece girar em torno da bola. Mas basta olhar um pouco além das quatro linhas para perceber que o Mundial também funciona como um espelho do mundo. E, como todo espelho, mostra belezas e também cicatrizes.
A edição de 2026 vem acumulando episódios que nada têm a ver com futebol.
O primeiro deles foi diplomático. O governo iraniano acusou os Estados Unidos de utilizarem a organização da Copa para constranger determinadas nações, após problemas envolvendo vistos, controles migratórios e tratamento dispensado a delegações e torcedores.
Poucos dias depois, uma jornalista brasileira denunciou ter sido alvo de tratamento racista durante a fiscalização de entrada em território americano. O episódio reacendeu um debate antigo: até que ponto a segurança pode ultrapassar os limites do respeito aos direitos individuais?
Agora, um terceiro caso ganhou repercussão internacional. O capitão de Cabo Verde, Ryan Mendes, passou a ser investigado na Nova Zelândia por uma denúncia de estupro apresentada por uma brasileira que trabalhava como intérprete da delegação durante amistosos realizados meses antes da Copa. Trata-se apenas de uma investigação em andamento, sem condenação ou acusação formal até este momento, mas suficiente para lançar mais uma sombra sobre o ambiente do Mundial.
São fatos completamente diferentes entre si. Um envolve geopolítica. Outro trata de discriminação racial. O terceiro diz respeito a uma grave acusação criminal. Mas todos acabaram conectados pela vitrine gigantesca que é uma Copa do Mundo.
E isso não é novidade.
Em 1978, na Argentina, a Copa foi disputada em plena ditadura militar, enquanto milhares de pessoas eram perseguidas e desapareciam.
Em 1994, nos Estados Unidos, o assassinato do colombiano Andrés Escobar, poucos dias após marcar um gol contra, revelou como o futebol podia se misturar com a violência do narcotráfico.
Em 2010, na África do Sul, a preocupação mundial era com a segurança pública e a criminalidade.
Em 2014, no Brasil, os protestos contra os gastos públicos dividiram espaço com o torneio, além de casos de cambismo internacional que mobilizaram a polícia.
Em 2018, a Rússia sediou a Copa sob críticas relacionadas ao ambiente político e às tensões internacionais.
Em 2022, no Catar, praticamente nenhum assunto foi mais debatido do que as denúncias envolvendo direitos humanos, mortes de trabalhadores migrantes, restrições às mulheres e à comunidade LGBTQIA+, transformando aquela talvez na Copa mais politizada da história recente.
Agora, em 2026, surgem novos capítulos. Não necessariamente maiores ou menores do que os anteriores, mas diferentes. A geopolítica voltou ao centro do palco. A imigração tornou-se assunto cotidiano. Questões raciais reaparecem. Investigações criminais envolvendo personagens do torneio ganham repercussão internacional.
Talvez isso seja inevitável.
Quanto maior a Copa, maior também é sua capacidade de amplificar os problemas do mundo. Hoje, com 48 seleções, centenas de jornalistas, milhões de turistas e bilhões de espectadores, o Mundial deixou de ser apenas um campeonato. Tornou-se uma gigantesca vitrine global.
A bola continua rolando. Os gols continuam emocionando. Os craques seguem fazendo história.
Mas, fora do gramado, a Copa também conta outra história: a do tempo em que vivemos.
Corrida
O Circuito Banco do Brasil de Corrida segue percorrendo o país e anuncia as próximas etapas da temporada 2026. Até o final do ano, o evento passará por mais cinco cidades brasileiras e já foram anunciadas as três primeiras desse segundo semestre, são elas: Joinville (SC), Natal (RN) e Brasília (DF). Apoiando o esporte brasileiro há 35 anos, o Banco do Brasil segue reforçando sua missão de incentivar a prática esportiva, promover hábitos saudáveis e proporcionar experiências de bem-estar para participantes de todas as idades.
Ocorrendo tradicionalmente há 10 anos, o Circuito Banco do Brasil de Corrida se consolidou como um dos maiores eventos de corrida de rua do país, reunindo corredores iniciantes, atletas experientes, crianças e famílias em uma programação que vai além das provas. Além dos percursos, os participantes encontram avaliações físicas, massagens, áreas de relaxamento e diversas ativações gratuitas, transformando cada etapa em uma verdadeira celebração da saúde e da qualidade de vida. As próximas etapas acontecerão nas seguintes datas:
23 de agosto – Joinville (SC)
13 de setembro – Natal (RN)
18 de outubro – Brasília (DF)
Cada cidade receberá percursos de 1 km (kids), 5 km e 10 km. A etapa de Brasília contará ainda com a tradicional Dog Run, percurso especial de 1 km destinado à participação de tutores e seus cães, ampliando o caráter inclusivo e familiar do evento. Mais do que uma corrida, o Circuito Banco do Brasil é um projeto de incentivo ao esporte e à qualidade de vida.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

