“Manifesto por la Lectura” saiu originalmente pela Siruela e apresenta aos leitores a defesa dos livros e da leitura construída por Irene a pedido da Federación de Gremios de Editores de España.
Essa obra ligeira, lida durante a viagem mesmo, foi decisiva para eu pensar no tom e no foco do meu próximo livro, previsto para o primeiro semestre do ano que vem. Revisitando o exemplar, vejo anotações que foram parar no original da obra inédita.
Ainda insisto: leiam “Infinito em um Junco”. Agora, não só. Leiam também “Manifesto Pela Leitura”, que acaba de ganhar uma versão brasileira em coedição da Dublinense com a Seiva (tradução de Julia Dantas).
“Ventos de uma capacidade maravilhosa nos impulsionaram a um inesperado, a um progresso imprevisível. Essa faculdade é nossa imaginação, que, aliada à linguagem, nos permite sonhar o inconcebível, colaborar e fortalecer uns aos outros. Somos a única espécie que explica o mundo com histórias, que as deseja, anseia por elas e as usa como cura”, brada Irene.
Um dos méritos da autora é tirar a aparente naturalidade que há na forma como encaramos a escrita e o livro para nos fazer enxergar quão fantásticas são essas conquistas humanas. Elas que ampliaram as possibilidades para que a imaginação não se perdesse no ar, pudesse ser registrada e passada de geração a geração.
Ao levarmos o que está na nossa cabeça para o papel, criamos condições para que nossas ideias transcendam o tempo. “A invenção de uma sofisticada tecnologia, a escrita, abriu as portas para a preservação de conhecimentos, ideias e sonhos, para que se expandam e ganhem vida a cada olhar que pousa nas letras de uma página”.

