Redação Tribuna do Norte
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Outro dia, em busca de um título que precisava citar, fui ao ‘Livro dos 400 Nomes’ que fizeram os quatro séculos de Natal. Uma ideia de Rejane, então presidente da Fundação Capitania das Artes. E fiquei lembrando da grande jornada que foi fazê-lo e, muito mais, publicá-lo. A ideia não era um rol de pessoas importantes, daí a dificuldade. Algumas foram tão inesperadas que a realização foi um desafio. Hoje é uma obra de referência, ainda que só tenha merecido a glória vã.
Uma das maiores dificuldades foi convencer que o critério definido não era juntar estrelas políticas, econômicas e sociais. Mas, reunir aqueles mortos que de alguma maneira integraram o mosaico da presença humana em todos os campos. Lembro que uma instituição mandou uma lista com bem mais do que quatrocentos nomes e estranhou que só as presenças marcantes estivessem nas suas páginas. Ainda assim, o livro saiu. Com ausências inevitáveis, como percebido depois.
Rejane fixou em cinco os redatores. Ela e mais quatro abnegados. A cada um coube um pequeno honorário de valor longe do merecido. Prontos e revisados os perfis, ilustrados sempre que possível, veio o novo desafio – a edição. A prefeita Wilma de Faria alegou falta de recursos e a impressão só foi possível pela dedicação do Secretário dos 400 anos, Fernando Fernandes, hoje diretor desta TN. Ele conseguiu imprimir na gráfica do Banco do Nordeste, Fortaleza, em 2000.
Um dos impasses graves foi a presença de Maria de Oliveira Barros, Maria Boa. Um dos integrantes, intelectual e imortal, protestou e declarou que se o nome fosse mantido sua presença no grupo seria impossível. Rejane, serena como é, mas firme, não abriu mão e lamentou não tê-lo entre os cinco redatores. Naqueles anos dois mil, Maria Boa ainda não havia merecido a anistia da cidade intolerante. Saiu, com fotografia. O autor do perfil, discreto e perfeito, foi Deífilo Gurgel.
Lançado na Capitania das Artes, e já circulando – não foi vendido, mas distribuído para as escolas municipais e com leitores interessados – fui procurado por um amigo com uma observação imperdoável: a ausência do advogado João Galvão, um dos líderes da Revolução Comunista de 1935. Pior: era amigo de Dr. Omar Lopes Cardoso, pai de Rejane. Os dois, às vezes, jantavam na Peixada da Comadre que ainda funcionava na casa da Comadre, nas Rocas. Participei de um deles.
Nem por isso, pelas omissões compreensivelmente perdoáveis diante do volume de nomes e da grandeza da tarefa, o livro é menos importante como registro de quatro séculos que reuniu, entre gloriosos, santos, bandidos, conhecidos e anônimos, o mural vivo e humano dos que, de algum modo, fizeram os primeiros quatro séculos desta cidade. Além de Rejane, foram autores: Deífilo Gurgel, Manoel Onofre Jr., Jardelino Lucena e Nelson Patriota. Eis a história desse livro.
PALCO
SERÁ? – O que seria mais justo para os natalenses que precisam da saúde pública e gratuita: gastar R$ 11,4 milhões com furdunços e festanças joaninas ou investir nas obras do Hospital de Natal?
RISCO -Hoje, os políticos jovens perderam o que antigamente era classificado como “as boas despesas” sempre consagradas pelas forças coletivas de toda a sociedade. O pão e o circo voltaram.
TAREFA – A Folha de S. Paulo, em editorial, cobrou do governador Tarcísio de Freitas: tirar São Paulo da posição mais baixa, no país, das crianças que, na idade ideal, não sabem ler e escrever.
TIRO – De Vinícius Torres Freire, na Folha de S. Paulo: “A imundície está tão espalhada que dificilmente haverá um flagrante grandioso o suficiente para tirar o país da resignação da sujeira”.
ANJO – O artigo do padre João Medeiros Filho, ontem, nesta TN, deu ao Padre João Maria a bela dimensão que demonstrou em vida pelo seu grande e forte amor ao próximo: é o ‘Anjo de Natal’.
RIBEIRA – A instalação do centro administrativo da Prefeitura de Natal na Ribeira é a primeira proposta concreta de revitalização verdadeira do bairro histórico. Antes de sucumbir no abandono.
POESIA – Da poetisa Maria Lúcia dal Farra, versos do seu poema ‘Paisagem Noturna’, Prêmio Jabuti 2012, assim: “Aceno para a lua nascente / que me dá insônia e mete as mãos por dentro…”.
RASTRO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando os rastros dos sabidos nas ladeiras da volúpia: “Eles começam sutis, mas depois o peso da ambição vai deixando as marcas”.
CAMARIM
AVISO -Não pense o candidato Allyson Bezerra que o marqueteiro João Santana faz milagres. Pelos sussurros à meia-boca, vem aí artilharia pesada para tentar desestabilizar sua imagem. E não será do marketing, vaticinam os bruxos. A área política conservadora quer vê-lo longe do poder.
SONHO – Frank Tavares Correia, excelente leitor desta coluna, gostou de ouvir a voz de Cauby Peixoto na propaganda de uma cerveja pelo Hexa do Brasil na Copa do Mundo. A voz de Cauby ainda ecoa nos ouvidos dos brasileiros mais velhos. É uma ressurreição. Além de uma bela sacada.
GANHO – De uma fonte que mora, há décadas, em Macaíba, e prefere não aparecer: “Auta de Souza é mesmo santa. Na sua santidade, tem servido até para fins comerciais”. E acrescentou: “Um dia essa história será contada, com valores e as instituições que fizeram parte das vendas”.
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