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O jornalista que não acabou

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Redação Tribuna do Norte




00h00

Zuenir Ventura morreu ontem, 22 de setembro de 2026, aos 95 anos. A notícia chegou como um daqueles silêncios que interrompem o ruído cotidiano e nos obrigam a olhar para trás. Mineiro de Além Paraíba, ele atravessou mais de seis décadas de jornalismo brasileiro com a elegância de quem nunca precisou gritar para ser ouvido.

Seu texto era límpido, preciso, humano. Um mestre que transformava reportagem em literatura sem jamais trair os fatos. Suas obras maiores permanecem como espelhos de um país que ele insistiu em olhar de frente. 1968 – O ano que não terminou (1988) reconstituiu, com rigor e emoção, aquele ano turbulento de efervescência cultural no regime militar.

O livro virou referência absoluta e inspirou a minissérie Anos Rebeldes. Em Cidade Partida (1994), vencedor do Prêmio Jabuti, mergulhou por meses em Vigário Geral depois da chacina e desenhou, sem pieguice nem sensacionalismo, o abismo social do Rio.

Chico Mendes – Crime e Castigo (2003) consolidou a série de reportagens premiadas com Esso e Vladimir Herzog sobre o assassinato do líder seringueiro. Há ainda Inveja: Mal Secreto, Minhas Histórias dos Outros, 1968: O que fizemos de nós e o romance Sagrada Família.

Em todas elas, o mesmo olhar: curioso, generoso, incapaz de simplificar a complexidade brasileira. Para a minha geração, Zuenir foi mais do que um nome respeitado nas redações e na Academia Brasileira de Letras, onde ocupava a cadeira 32 desde 2015.

Foi referência de ética, de estilo e de generosidade. Entre 1997 e 2004, aceitou colaborar com meu site Sanatório da Imprensa, o site que criei como uma modesto blog (ou blag) de deferência ao Observatório da Imprensa, de outro mestre, Alberto Dines.

Durante sete anos, enviou textos primorosos, escritos com a mesma dedicação que dedicava às páginas de O Globo ou às reportagens de fôlego. Não havia hierarquia naquela colaboração. Havia apenas o prazer de escrever bem e de dialogar com leitores que ainda acreditavam no jornalismo como exercício de inteligência e de humanidade.

Aquela generosidade dizia muito sobre o homem. Em tempos em que a internet ainda engatinhava e a blogosfera era território de aventureiros, Zuenir não hesitou em emprestar sua assinatura a um espaço pequeno e independente. Seus textos no Sanatório tinham o mesmo cuidado, a mesma clareza, o mesmo humor discreto que marcavam sua produção nos grandes veículos. Para quem começava a escrever ou a refletir sobre a imprensa naqueles anos, era uma lição viva: o jornalismo de qualidade não depende do tamanho da plataforma, mas da dignidade do olhar.

Hoje, ao saber de sua partida, fica a certeza de que perdemos um dos últimos grandes mestres de uma escola que conjugava rigor, elegância e empatia. Zuenir Ventura nos deixou uma obra que continua a ensinar e um exemplo que continua a iluminar.

Obrigado, mestre, por ter aceitado, durante tantos anos, sentar-se conosco naquela mesa virtual do Sanatório da Imprensa. Sua presença lá, como em tudo o que fez, elevou o nível da conversa. Com a qualidade da obra que produziu, você jamais vai acabar. Descanse em paz.

Multidões

A gigantesca passeata realizada por Flávio Bolsonaro em Natal, na segunda-feira, foi sem dúvida a maior movimentação política já vista na cidade. Pra quem viu Aluízio Alves, José Agripino e Geraldo Melo, sabe que é verdade.

Pesquisas

O avanço dos institutos de pesquisa no RN segue em ritmo exponencial e já se aproxima de 50 empresas. É estranho que todos sejam aceitos pela justiça eleitoral, sem que haja um critério técnico e científico minimamente rígido.

Condenação

Em junho, um juiz condenou a rede de farmácias Drogasil a pagar R$ 10 milhões por exigir o CPF dos clientes. Recentemente houve o recurso, mas a Justiça manteve a pena. Nenhuma empresa pode pedir o cpf dos seus clientes.

Magnatas

Lula afirmou que seu governo está combatendo todas as escalas da criminalidade, inclusive apreendendo bens dos magnatas da corrupção. Incrível que ele tenha esquecido o grande esquema do Banco Master com o Supremo.

Bolsa-voto

Muitos juristas acham que não há ilegalidade no reajuste de 15% no Bolsa Família, a menos de 17 dias da eleição. A benesse teve aval da AGU, sob justificativa de recomposição inflacionária, mas é apenas um crime eleitoral.

Lisonja

A filial brasileira da rede CNN finalmente se alinhou à matriz nas piadinhas e gracejos com Donald Trump; e por tabela, adotou a bajulação a Lula. No discurso do petista na ONU, as cheerleaders o trataram como um estadista.

Terrível

Devastada, a modelo Cindy Crawford visitou a casa do seu filho Presley, 24 horas depois da sua morte. Na companhia do marido, o empresário Rande Gerber, ela declarou à imprensa, diante da casa: “este é o pior pesadelo”.

Batman

O ator Chris Pine recebeu um convite para interpretar Batman em novo filme da DC Comics, e que terá Dick Grayson e Jason Todd (os dois Robin) como protagonistas. A atriz Marsai Martin deverá encarnar Barbara Gordon, a Batgirl.

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