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O erro de Trump no Irã

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Donald Trump afirmou ter ficado chocado ao ver a multidão de iranianos chorando no funeral do aiatolá Ali Khamenei. Disse que sempre acreditou que a população odiava o líder iraniano. A surpresa revela mais do que uma avaliação equivocada: ela expõe uma velha ilusão, a de que basta remover o tirano para libertar o povo.

A presença de multidões em funerais de líderes autoritários não pode ser interpretada como uma fotografia da alma de uma nação. Em sociedades submetidas a longos períodos de controle político, uma demonstração pública de luto pode reunir convicção religiosa ou ideológica, medo, pressão social, coerção e até oportunismo. Pessoas comparecem porque acreditam, porque temem, porque se identificam com parte da narrativa do regime ou simplesmente porque se acostumaram a viver dentro dele.

Ainda assim, o funeral gigantesco de um homem que, aos olhos do Ocidente, simbolizava décadas de repressão revela um fato frequentemente ignorado: ditaduras não sobrevivem apenas pela força. Com o tempo, elas constroem vínculos emocionais, identidades coletivas e mecanismos de adaptação psicológica.

A ilusão de que basta remover o tirano para desencadear uma revolta popular é sedutora em sua simplicidade: existe um ditador no topo e um povo oprimido embaixo; basta eliminar o primeiro para que o segundo faça o resto. Mas a história quase nunca funciona assim. Sociedades não são máquinas esperando que uma peça seja retirada para voltar ao normal.