Redação Tribuna do Norte
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Jener Tinôco
Publicitário, Cientista Social e Especialista em Marketing
Toda pessoa conhece alguém assim. Às vezes está na família, no trabalho, na política, no círculo de amigos ou até nas redes sociais. É aquela figura que chega e, em vez de melhorar o ambiente, parece retirar dele um pouco da leveza. Não porque discorde, questione ou tenha personalidade forte. O problema não é a diferença de opinião. O problema é o comportamento.
O chato é, antes de tudo, alguém que transforma a convivência em um exercício de paciência. É a pessoa inconveniente, que não sabe a hora de falar nem a hora de calar. Que invade espaços, desrespeita limites e acredita que sua vontade deve prevalecer sobre a de todos os demais. Tem dificuldade de ouvir, mas uma enorme disposição para falar. Opina sobre tudo, mesmo quando não conhece o assunto, e raramente admite estar errado.
Muitas vezes, o chato vem acompanhado de uma ambição sem freios. Não aquela ambição saudável de quem deseja crescer pelo mérito e pelo esforço. Trata-se de uma ambição egoísta, que enxerga as pessoas como degraus e os relacionamentos como instrumentos. É alguém que se aproxima por interesse e se afasta quando deixa de obter vantagem. Para ele, quase tudo é uma negociação e quase ninguém é importante por si só.
Há também um traço comum de má educação. Não necessariamente a falta de etiqueta, mas a incapacidade de respeitar os outros. Interrompe conversas, despreza opiniões diferentes, trata mal quem considera inferior e bajula quem acredita poder lhe trazer algum benefício. Exige respeito, mas não respeita. Cobra consideração, mas não considera ninguém.
Outro aspecto marcante é a insatisfação permanente. Nada está bom. Nada é suficiente. Nada merece reconhecimento. Quando algo dá certo, procura defeitos. Quando alguém conquista algo, minimiza o mérito. Quando recebe ajuda, age como se aquilo fosse obrigação. O chato tem dificuldade de celebrar vitórias alheias porque está sempre comparando, competindo ou alimentando ressentimentos.
A desconfiança excessiva também costuma fazer parte de sua personalidade. Como vê segundas intenções em tudo, acredita que todos agem movidos pelos mesmos interesses que o movem. Por isso, suspeita das boas ações, questiona as boas intenções e enxerga conspirações onde muitas vezes existe apenas boa vontade. A confiança, que é a base de qualquer relação saudável, torna-se impossível.
Com o tempo, essas características produzem um efeito inevitável. As pessoas começam a se afastar. Convites deixam de chegar. Conversas ficam mais curtas. A presença deixa de ser desejada. Mas, em vez de refletir sobre as razões desse isolamento, o chato quase sempre encontra culpados externos. Acredita que é vítima da inveja, da ingratidão ou da incapacidade dos outros de compreender sua suposta superioridade.
O mais triste é que ninguém nasce condenado a ser assim. O comportamento humano pode ser corrigido, amadurecido e aperfeiçoado. A humildade, a educação, a empatia e a capacidade de reconhecer os próprios erros continuam sendo os melhores antídotos contra a chatice. Afinal, inteligência impressiona, sucesso chama atenção, poder desperta interesse. Mas são o respeito, a confiança e a boa convivência que fazem alguém ser verdadeiramente admirado.
Porque, no fim das contas, o maior problema do chato não é incomodar os outros. É não perceber que, aos poucos, vai ficando sozinho.
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