InícioOpiniãoO agro brasileiro precisa de um plano para além da próxima safra

O agro brasileiro precisa de um plano para além da próxima safra

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O agronegócio brasileiro iniciou o ano em ritmo acelerado. A produção de soja, milho e cana-de-açúcar alcançou patamares históricos, consolidando, mais uma vez, a relevância do setor para a economia nacional. Entretanto, o agro também carrega uma característica inerente a qualquer atividade cíclica: nem sempre o desempenho observado no início do ciclo se mantém até o seu encerramento.

As safras que começaram com números recordes de produção e receita já enfrentam, neste momento, um cenário mais desafiador. Margens pressionadas, crédito mais restrito, volatilidade cambial e custos elevados de insumos passam a exigir ainda mais eficiência da atividade produtiva. Diante desse contexto, devemos aproveitar os resultados positivos alcançados até aqui para nos prepararmos para os desafios que se aproximam. E, quando utilizo a primeira pessoa do plural, refiro-me ao Brasil.

A safra 2025/26 de soja deverá atingir entre 177 e 178 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como o maior produtor mundial da cultura, segundo estimativas da Conab. O milho, com safra projetada em aproximadamente 138 milhões de toneladas, mantém-se como a segunda cultura mais importante do país. Já a cana-de-açúcar, impulsionada pela crescente demanda por etanol e pelas políticas de transição energética, reforça seu papel estratégico na matriz energética nacional.

O consumo de fertilizantes alcançou 35,86 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2025, crescimento de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O Brasil permanece na quarta posição entre os maiores consumidores mundiais. Entretanto, as importações somaram 43,32 milhões de toneladas no período, evidenciando uma vulnerabilidade estrutural que merece atenção. É difícil sustentar um crescimento consistente quando parte significativa do abastecimento depende de fatores geopolíticos e de decisões tomadas fora do país.