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Nery e Bento – Tribuna do Norte

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Redação Tribuna do Norte

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Quando li a notícia da exposição da arte de Ismael Nery que acontece na Pinacoteca de São Paulo, lembrei de Antônio Bento a quem entrevistei numa das manhãs quase bíblicas do Tirol. Estava hospedado na casa de D. Dharcília, sua irmã, viúva do desembargador Carlos Augusto. Encontrei um homem alvo, leve e educado, já de cabelos brancos. Antes de qualquer pergunta, pediu para não opinar sobre os artistas locais por não conhecê-los em profundidade.

Antônio Bento ficou mais conhecido aqui por ter sido anfitrião de Mário de Andrade na viagem ao Nordeste. Passou alguns dias no Engenho Bom Jardim e foi lá que conheceu o cantador Chico Antônio que ele comparou a Caruso. O que ninguém sabe nesta vil desmemória que nos faz esquecidos de tudo quanto deveria ser lembrado, é que ele é o autor dos dois mais importantes livros sobre Portinari e Ismael Nery, até hoje considerados estudos insuperáveis.

Diria que Antônio Bento pode não ter sido o descobridor de Ismael Nery, morto aos 33 anos, mas foi aquele que primeiro consagrou sua arte arrojada, nos traços dos retratos e na nudez feminina desassombrada nas suas formas e cores fortes naquele Rio da década de vinte. Faleceu tuberculoso, em 1934, mas deixou uma obra que Antônio Bento, seu maior estudioso, chamou de um verdadeiro conto de fadas na introdução do livro prefaciado pelo poeta Murilo Mendes.

O livro que tem como título apenas o nome – ‘Ismael Nery’, a grande seleção dos seus quadros é antecedido por um longo ensaio de Antônio Bento que toma oitenta páginas. Nery nasceu em Belém do Pará, a 9 de outubro de 1900 e 34 anos depois, a 6 de abril de 1933, estava morto, antes de completar 34 anos. Era casado com a escritora e poetisa Adalgisa Nery que depois casou com Lourival Fontes, um dos nomes mais próximos do presidente Getúlio Vargas.

Mário e Cascudo eram amigos. A longa correspondência entre os dois atesta. Mas, foi a convite de Antônio Bento a viagem de Mário a Natal e Goianinha. Bento sabia dos interesses de Mário pela cultura popular e da existência do cantador Chico Antônio. E é bela a despedida de Chico na última tarde com Mário: ‘Adeus sala/ adeus cadeira / adeus piano de tocar. / Adeus tinta de inscrevê /adeus papé de assentar!”. Fez uma pausa breve, e saudou: “Ê boi tungão!”.

Tive o privilégio de herdar os livros que ele mandava para sua irmã, D. Dharcília. O ‘Ismael Nery’, Brunner, SP, 1973; e ‘Portinari’, Leo Christiano, Rio, 1980. Na folha de guarda do Nery: “À querida irmã Dharcília, com a admiração e o abraço afetuoso do Antônio Bento, 1974”. No ‘Portinari’: “À querida irmã Dharcília, com os votos de próspero ano novo e de felicidades pelo próximo dia 19, com o beijo afetuoso de Antônio Bento. Rio, janeiro, 1991”.

PALCO

LAVAGEM – A resenha que escapa nos cochichos dos estúdios de campanhas dos candidatos é que será mais intensa a lavagem de roupa suja. Quem tiver segredos que trate de escondê-los.

BOLHA – É preciso ser jejuno em cultura para confundir evento cultural com política cultural. A couraça da bolha que isola a UFRN da sociedade que a mantém fica a cada dia mais espessa.

AVISO – Já são três as chapas de reitor e vice que disputarão a sucessão, por voto direto. Mas, aquela ungida pelo establishment para o continuísmo tem evitado assumir seu poder de mando.

ALIÁS – Com duas décadas de domínio do mesmo grupo, com um bem articulado rodízio de nomes – a última foi com chapa única – revela: o voto direto nem sempre garante a livre escolha.

LUTA – Leitor remete reclamação de mais de cinquenta compradores de carros elétricos com problemas surgidos no pós-venda sem prazo de solução. A tecnologia também tem dissabores.

BURACOS – Aos leitores que apelam a esta Cena: várias vezes a coluna publicou reclamações contra os buracos até em ruas e avenidas de grande trânsito. Nem sequer conseguiu sensibilizar.

POESIA – De Mário Lago, o poeta, do seu livro ‘Segredos de Família”: “Ai Deus, as orelhas penosas / das putas tristes, escravas de caftens / que as enchem de porrada ao invés de beijos”.

ARROTO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, ouvindo certos políticos que se dizem democráticos: “Eles arrotam uma liberdade que nunca praticaram e nem respeitaram”.

CAMARIM

LUTA – A coluna procurou consultar isentos na busca de saber quais são as perspectivas mais prováveis de um segundo turno. Os consultados não negaram o crescimento de Cadu Xavier, o candidato do PT, mas opinaram que a luta hoje tende a ser de Álvaro Dias e Allyson Bezerra.

DETALHE -Na análise dos dois estatísticos, um deles professor da UFRN, a perda de votos de Álvaro Dias em Natal para Alysson Bezerra e Cadu Xavier pode ter tirado a chance de uma votação bem maior na capital. E daí, quem sabe, a clara liderança do ex-prefeito de Mossoró.

SENADO – As duas opiniões convergem em um ponto: a eleição para o Senado de Styvenson Valentim e Zenaide Maia. A forte pulverização dos seus nomes nas diversas regiões do Estado é o que tem contribuído para a estabilização de suas votações reveladas nas diversas pesquisas.

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