A partir de hoje assino esta coluna com meu nome real, de nascimento. Após anos escrevendo como Natalia Beauty, volto a ser Natalia Martins e essa troca, por mais simples que pareça no papel, mexeu comigo mais do que eu esperava.
Em 2017, quando abri as portas do meu primeiro espaço, escolhi o nome Natalia Make Up. A escolha tinha uma intenção que quase ninguém percebeu: em inglês, “make up” também significa formar, compor, e era exatamente isso que eu fazia, formando profissionais por meio da universidade que já mantínhamos com cursos de especialização, além da clínica.
Só que o mercado leu apenas a superfície, pois para a maioria, Natalia Make Up era sinônimo de maquiagem, serviço que eu nunca ofereci, e o resto do trabalho, o mais denso e estruturado, ficava invisível atrás do nome.
Passei então a assinar como Natalia Beauty e aquele gesto, aparentemente pequeno, foi o que me transformou na figura central de um ecossistema inteiro de negócios que foi crescendo ao redor do meu próprio nome.
Hoje esse movimento se repete, só que em outra escala. A marca está passando por uma expansão de franquias, novas linhas de produto e os primeiros passos rumo ao mercado internacional. Para sustentar tudo isso, Natalia Beauty se torna NaBeauty. Um nome mais enxuto, mais fácil de traduzir, mais preparado para caminhar sozinho pelo mundo. Assino como Natalia Martins porque a marca já não precisa do meu nome inteiro para ser reconhecida.
Existe uma parte disso que eu não esperava sentir, um misto de orgulho e vazio, como o de uma mãe vendo o filho sair de casa. Por um lado, há orgulho genuíno de ver algo que nasceu de mim se tornar independente, maior do que eu, capaz de existir sem precisar do meu nome para se sustentar. Por outro, existe o luto profundo de deixar de ser, na cabeça das pessoas, sinônimo daquilo que construí com tanto esforço.
Acho que poucas pessoas falam sobre esse lado do empreendedorismo. Falamos de crescimento, de escala, de profissionalização, mas pouco falamos da dor de quem precisa, no auge do próprio sucesso, renunciar a ser o centro daquilo que criou. Toda empresa que amadurece chega a esse ponto: o momento em que carregar o nome do fundador deixa de ser vantagem e passa a ser limite. Não porque algo deu errado, mas porque deu certo demais.
O psicanalista Donald Winnicott, no livro “O Brincar e a Realidade”, tinha uma expressão que sempre me acompanha. A “mãe suficientemente boa” não é aquela que se torna indispensável para sempre, mas a que prepara, aos poucos, sua própria dispensa. Eu penso que hoje é esse o meu papel dentro do que construí.
Talvez empreender, no fim, seja também aprender a sair de cena no tempo adequado para que aquilo que criamos possa, enfim, ser maior do que nós.
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