Redação Tribuna do Norte
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Depois de alguns dias, volto com recordações, novos conhecimentos e a cabeça cheia de ideias. Viajo para aprender. Cada destino assemelha-se a uma sala de aula, onde as ruas são os livros e as pessoas os professores (sobretudo motoristas de táxis, excelentes informantes).
Embarquei em um cruzeiro marítimo pela Escandinávia, percorrendo fiordes, enormes vales com rochas inundadas pelo mar, alguns com mais 350 quilômetros de comprimento, paredões com cerca de mil metros de altura e uma parte submersa de 1 500 metros de profundidade.
Cercado por essas paisagens deslumbrantes, acompanhei os debates da política brasileira. De fora, vê-se melhor: tive inquietação permanente sobre o futuro do país.
Cenário pessimista
Vê-se de um lado, governo marcado por acusações de corrupção e um presidente que distribui benesses para não deixar o poder. De outro, uma família desajustada e ambiciosa, liderada por Bolsonaro, com três casamentos, que geraram disputas internas. Todos vivem a custa de dinheiro público, através de mandatos. A esposa, Michele, alimenta a ideia de que poderia ser presidente do Brasil — um absurdo. Mais grave ainda é haver quem apoie essa aspiração, sem que ela tenha o menor espírito público para sequer ocupar um cargo como o de senadora, que exige preparo, experiência e visão de mundo. O candidato Flávio Bolsonaro, imposto à Presidência e os seus familiares, são verdadeiros “cabos eleitorais” de Lula e do PT.
Esse complô familiar teve na Presidência da República, paradoxalmente, o mérito de dar espaço a alguns nomes que se revelaram capazes no exercício de ministérios — Paulo Guedes, Rogério Marinho, André Mendonça, Tereza Cristina, Roberto Campos Neto, João Roma. Entretanto, a instabilidade emocional do presidente, com posições inacreditáveis como opor-se à vacinação, e o desejo de manter o clã no poder, destruíram a chance do melhor ministro de seu governo, Tarcísio de Freitas, ser o candidato natural e fortíssimo à presidência. Foi excluído, e o país hoje está à deriva, sem rumo.
O exemplo da Estônia
Enquanto isso, conheci a Estônia, país que saiu da órbita soviética e é hoje campeão mundial no uso da internet na administração pública e privada. Lá, 99% dos serviços públicos são digitalizados e disponíveis 24 horas por dia. O cidadão vota de casa no computador, ou onde esteja, declara o Imposto de Renda em quatro minutos, tem todo o histórico médico unificado em prontuário digital e pode abrir processos judiciais online. O país economiza cerca de 2% do PIB em burocracia e papel. A segurança é exemplar: caminhar sozinho à noite na capital Tallinn é extremamente seguro, e até refletores luminosos são obrigatórios para os pedestres levarem na lapela, garantindo visibilidade e evitando acidentes.
Na Escandinávia como um todo — Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca — a paz social é constante, com rendas per capita em torno de dois mil euros. Voltei ao Brasil amando ainda mais o meu país. Temos potencial. O nosso povo é tenaz e criativo. Quando isso ocorrerá? Não sabemos. Mas como dizia Ariano Suassuna: “O otimista é um tolo, o pessimista é um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.”
Realista esperançoso
O Brasil só avançará quando a cidadania for colocada no centro das decisões. Não basta esperar por líderes iluminados: é preciso que o cidadão compreenda seu papel, exerça seus direitos e cumpra seus deveres.
A transformação começa no voto consciente. Países como a Estônia e as nações escandinavas demonstraram que as sociedades se fortalecem, quando o cidadão é protagonista, não espectador.
O caminho é longo, mas possível. O realismo esperançoso, lembra que não basta sonhar: é necessário agir. E quando o povo brasileiro assumir plenamente esse papel, teremos todas as condições de crescer e evoluir como nação.
Curtinhas
Filme
“No Pique de Nova York” – NETFLIX – As gêmeas estão em Nova York, por razões diferentes. O que elas conseguem é se envolver em muita confusão.
Frase
“O treinador decide antes quem vai bater. Eu nunca fui vaidoso. Por isso, o ‘Mister’ escolheu Bruno. Nunca fugi da responsabilidade”, declarou Vini, após a derrota do Brasil.
Estigma
O Brasil segue sem conseguir vencer a seleção da Noruega em toda a história do futebol masculino (agora com 3 derrotas e 2 empates em 5 jogos oficiais).
Causa de derrota brasileira
O futebol é como uma cirurgia: o cirurgião só tem sucesso com bom anestesista e assistentes. Lancelotti (o cirurgião) necessitaria de anestesista e uma equipe talentosa. Falta ao Brasil jogadores de nível, com algumas exceções. Até bater pênalti foram incapazes. Milionários vivem na Europa e visitam o país de 4 em 4 anos.
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