Redação Tribuna do Norte
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17h00


Fernando Azevêdo
Repórter
A maior parte dos potiguares que entregaram a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026 informou rendimento tributável anual de até R$ 200 mil. Nessa faixa, a renda média mensal dos declarantes no Rio Grande do Norte é de R$ 6.423,33, acima da média nacional, que ficou em R$ 6.074,16. Em todo o país, 35,47 milhões de contribuintes estão nesse grupo. Os dados são do painel Perfil do Declarante IRPF, da Receita Federal, consultado nesta sexta-feira (24).
As informações permitem traçar um panorama socioeconômico das pessoas que declararam o IRPF 2026. Considerando todas as faixas de rendimento, a média mensal no RN é de R$ 11.657,50. No total, 41,5% dos declarantes são casados e 46,4% são mulheres. A idade média é 49,3 anos. A média de rendimentos totais é R$ 139,89 mil, e a média de patrimônio, R$ 214,38 mil.
Dentro da faixa majoritária (até R$ 200 mil), 45,5% dos declarantes potiguares são mulheres, 40% são pessoas casadas e a idade média é de 46,9 anos. A média de rendimentos totais declarados na faixa é de R$ 72,89 mil, e a média de patrimônio dos potiguares é de R$ 143,96 mil.
Apesar disso, o rendimento declarado pelos contribuintes do IR está distante da realidade da maior parte da população potiguar. Em 2025, o rendimento médio mensal no Rio Grande do Norte foi de R$ 2.731, abaixo da média nacional, de R$ 3.367. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando a renda é dividida por todos os moradores da casa, 60% dos potiguares – cerca de 2 milhões de pessoas – viviam com apenas R$ 1.334 por mês em 2025, menos de um salário mínimo.
O economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), destaca que “o nível de pobreza de renda do RN” é alarmante. Segundo dados do IBGE, 10% da população (cerca de 345 mil potiguares) viviam com a média de R$ 307 por mês de renda domiciliar per capita em 2025.
“Seis em cada dez potiguares hoje declaram viver com menos de um salário mínimo dentro da sua casa. É um dado alarmante, porque ainda persiste no Brasil, e em especial no Rio Grande do Norte, uma alta concentração de renda”, diz o economista.
Na visão de Arthur Néo, é preciso haver políticas públicas para elevar a renda dos potiguares, além de industrializar o estado e gerar empregos com mão de obra qualificada. “Estudos apontam que a elevação do nível educacional é importantíssima. Só que, só elevar o nível educacional não é mais garantia de aumento de renda. Ao mesmo tempo, [é preciso] criar ambiente de negócio para que essas pessoas realmente possam exercer a sua profissão”, diz.
Minoria ganha mais
Os que ganham mais no RN são uma minoria, segundo os números das declarações enviadas à Receita Federal. As faixas de rendimento total contêm os seguintes números de contribuintes: 0 a R$ 200 mil/ano: 354,7 mil; R$ 200 mil a R$ 600 mil/ano: 59,5 mil contribuintes; R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão/ano: 6,4 mil contribuintes; e mais de R$ 1,2 milhão/ano: 2.359.
A quantidade de mulheres declarantes cai à medida que a faixa de rendimentos aumenta: 44,9% declararam na faixa de R$ 200 a 600 mil; 32% na faixa de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão; e apenas 26,7% na faixa de R$ 1,2 milhão.
Já o rendimento total médio é menor para pessoas pretas (R$ 107,02 mil) e pardas (R$ 121,44 mil) do que para pessoas brancas (R$ 166,20 mil). Pessoas indígenas têm rendimento total de R$ 116,76 mil no RN, e pessoas amarelas, R$ 129,44 mil.
O número de pessoas com cônjuges acompanha o aumento de faixa. Da faixa de R$ 200 mil a R$ 600 mil, 56,4% são casados, com idade média de 55,6 anos e média de 0,7 dependentes; na faixa de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão, 67,4% são casados, com idade média de 55,5 anos e média de 0,8 dependentes; e acima de R$ 1,2 milhão, 69,4% são casados, com idade média de 54,8 anos e média de 0,8 dependentes.
Em nível nacional, 44,7% das pessoas que declararam o IRPF 2026 eram mulheres, e 42,9% dos declarantes eram casados. A média de idade é de 47,8 anos, e a média de dependentes é 0,5. As médias de rendimentos totais e de patrimônio são, respectivamente, R$ 162,93 mil e R$ 408,32 mil.
Por faixas, as quantidades de declarantes no Brasil são: até R$ 200 mil (35,47 milhões); R$ 200 mil a R$ 600 mil (5 milhões); R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão (0,8 milhão); superior a R$ 1,2 milhão (0,44 milhão).
Profissões melhor remuneradas
As cinco profissões que melhor pagam no RN em 2026, segundo os rendimentos totais apresentados no painel da Receita, são: titular de cartório; membro do Ministério Público (procurador e promotor); membro do Poder Judiciário (ministro, juiz e desembargador) e do Tribunal de Contas (ministro e conselheiro); advogado do setor público, procurador da Fazenda, entre outros; e piloto de aeronaves, comandante de embarcações e oficiais de máquinas.
O rendimento total dessas profissões varia na faixa de R$ 44 mil a R$ 107 mil por mês, o que representa um montante anual entre R$ 528,1 mil e R$ 1,29 milhão.
O patrimônio médio dos profissionais no estado, conforme as declarações de IRPF 2026, é de R$ 4,9 milhões (membros do MP); R$ 4,5 milhões (membros do Judiciário); R$ 1,1 milhão (titular de cartório); R$ 1 milhão (servidor das carreiras do Banco Central, CVM e Susep); R$ 1 milhão (técnico em mineralogia e geologia); e R$ 1 milhão (médico).
A reportagem foi às ruas de Natal para saber o que vem à mente das pessoas quando são perguntados sobre que profissões pagam melhor no RN.
Confira o vídeo e depois continue a leitura:
A estudante Selene Cunha diz que o servidor público da área da saúde ganha bem. “É uma área tanto de muito recurso como de renda. Apesar do piso salarial estar bem defasado, entre outras profissões CLT, acaba tendo um salário um pouco mais recheado”, afirma.
O taxista Izu Lamar acredita que “o pessoal da Justiça”, como juiz e desembargador, ganha mais. O vendedor Sérgio Macena de Medeiros apostou em servidor público federal e político. Para o aposentado Lúcio Viana, desembargador e médico “são muito bem pagos”. As demais opiniões podem ser conferidas em vídeo da TN (escaneie o QR Code).
Na visão do sociólogo César Sanson, o número de profissionais com rendimento muito expressivo é “insignificante” diante da maioria dos trabalhadores. “Não temos uma massa salarial mais homogênea para dizer: olha, a diferença salarial é exorbitante. Temos algumas faixas salariais que estão acima”, frisa.
Para o professor, destacam-se no RN trabalhos informais e que pagam menos, especialmente na área de serviços. “Os dois dados relevantes e significativos do nosso mercado de trabalho são alta informalidade e baixo rendimento. A explicação para isso é fundamentalmente o fato de nos caracterizarmos como uma economia de serviços. Não somos uma economia que tenha uma base industrial”, explica.






Cerca de quatro a cada dez potiguares trabalham informalmente – número que o sociólogo acredita ser maior devido à inclusão de microempreendedores individuais (MEIs) na estimativa. “O que caracteriza a informalidade é a ausência do registro de carteira e de contribuição da previdência. Mas, por exemplo, se você paga o MEI, [tem] uma contribuição. Mas as suas condições de trabalho estão mais para informal do que para formal”, conclui.
Metodologia do painel
O painel foi elaborado com as informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações de Ajuste Anual do IRPF, diz a Receita Federal. Os dados representam “todos os contribuintes pessoa física com domicílio fiscal no RN que entregaram a declaração de imposto de renda”, explica a auditora fiscal da Receita, Heloísa Baltar de Moraes. Isso inclui “contribuintes que não são obrigados a entregar declaração e entregam e há contribuintes obrigados a entregar e não o fazem”.
“Os dados são apresentados de forma agregada e anonimizada, preservando o sigilo fiscal. Combinações de filtros só são disponibilizadas para grupos com pelo menos 100 declarantes, e gráficos exibem apenas grupos com pelo menos 10 declarantes, medida destinada a evitar a identificação individual dos contribuintes”, afirma a auditora fiscal.
Rendimentos totais declarados no IRPF Top 10 profissões (em R$, valor/mês)
- Titular de cartório: R$ 107,61 mil por mês
- Membro do MP (procurador e promotor): R$ 106,51 mil por mês
- Membro do Poder Judiciário (ministro, juiz e desembargador) e do Tribunal de Contas (ministro e conselheiro): R$ 104,86 mil por mês
- Advogado do setor público, procurador da Fazenda, entre outros: R$ 44,43 mil por mês
- Piloto de aeronaves, comandante de embarcações e oficiais de máquinas: R$ 44,01 mil por mês
- Servidor das carreiras de auditoria fiscal e de fiscalização: R$ 40,76 mil por mês
- Médico: R$ 40,28 mil por mês
- Cantor e compositor: R$ 30,54 mil por mês
- Servidor das carreiras do Banco Central, CVM e Susep: R$ 27,10 mil por mês
- Servidor das carreiras do Poder Judiciário, oficial de justiça, entre outros: R$ 27,01 mil por mês

