InícioOpinião“Magnifica Humanitas” e a coragem alegre de Gandalf

“Magnifica Humanitas” e a coragem alegre de Gandalf

Publicado em

spot_img

Perto do final de Magnifica Humanitas, a encíclica do papa Leão XIV sobre a inteligência artificial, o pontífice cita O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien:

“John Ronald Reuel Tolkien, um escritor católico do século 20, através das palavras de um protagonista dum seu romance, descreveu assim a nossa responsabilidade: ‘Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que nos for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal nos campos que conhecemos para que quem viver depois possa ter terra limpa para amanhar’.”

O protagonista em questão é o mago Gandalf, que nos lembra de como dependemos da providência divina. Em contraste com as ambições dos fabricantes de IA, os cristãos não devem aspirar ao domínio ou à dominação. Em vez disso, entregamos nossas preocupações a Deus, cuja poderosa providência se estende até mesmo aos pardais do campo, e arrancamos o mal dos campos que conhecemos ao conformar nossas vidas à Cruz.

Conformar nossas vidas à Cruz certamente envolve coragem. Mas a Cruz também é uma fonte de alegria, pois é a suprema manifestação da caridade de Cristo e a fonte da vida eterna. Podemos, então, unir as duas coisas e, seguindo o exemplo da Igreja primitiva nos Atos dos Apóstolos (ver especialmente Atos 4,29-31), rezar por uma coragem alegre. É aqui que a invocação de Gandalf assume importância.