A vendedora Tainara Souza Santos, vítima de um atropelamento seguido de arrastamento na Marginal Tietê, em São Paulo, chegou a despertar do coma e conversou com a mãe durante os últimos dias de vida. A revelação foi feita por Lúcia Aparecida Souza da Silva, mãe da vítima, meses após a morte da filha, que não resistiu aos ferimentos causados pelo crime.
Segundo o relato, Tainara permaneceu consciente por cerca de dez dias durante a internação e demonstrou plena compreensão da gravidade de seu estado de saúde. A história veio à tona pouco antes da decisão da Justiça que determinou que Douglas Alves da Silva, acusado pelo crime, seja submetido a júri popular.
Conversa marcou os últimos dias de vida
De acordo com Lúcia, a primeira preocupação da filha ao acordar foi saber notícias da família. “Mãe, meus filhos estão bem? A senhora está bem?”, teria perguntado Tainara.
Após ouvir que todos estavam bem, a vendedora demonstrou saber exatamente o que havia acontecido. “Mãe, eu sei o que aconteceu. Estou sem as minhas pernas, né? Fui arrastada pelo carro”, disse à mãe.
Mesmo diante da situação extremamente delicada, Tainara mostrou determinação para continuar lutando pela recuperação.
“‘Vou lutar, mãe. Isso vai ser pelos meus filhos e por você’”, relembrou Lúcia.
A vítima deixou dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7.
Vítima afirmou conhecer acusado
Durante uma das conversas no hospital, a mãe questionou a filha sobre Douglas Alves da Silva, preso pelo caso. Segundo Lúcia, Tainara reagiu imediatamente ao ouvir que o acusado negava conhecê-la.
“Ele não me conhece? Espera só eu sair daqui para ver se ele não me conhece”, teria respondido.
A declaração contrasta com a versão apresentada por Douglas à polícia. Após ser preso, ele afirmou que não conhecia a vítima e alegou que o atropelamento ocorreu após uma confusão envolvendo outra pessoa. As investigações, no entanto, apontam que os dois tiveram um relacionamento anterior e que o crime teria sido motivado por ciúmes.
Mãe guardou segredo sobre despertar
Lúcia contou que optou por não revelar publicamente que a filha havia despertado do coma enquanto ainda enfrentava o tratamento médico. Segundo ela, a decisão foi uma forma de preservar a intimidade de Tainara naquele momento tão delicado. A mãe afirmou que somente agora conseguiu falar sobre o assunto, após enfrentar o luto e reviver os acontecimentos durante uma audiência judicial.
“Eu me sinto abençoada por ter visto ela acordada e conversando comigo durante dez dias”, declarou.
Crime chocou o país
O caso aconteceu em 29 de novembro de 2025, na Marginal Tietê, em São Paulo. Imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas mostraram o momento em que Tainara foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro. Ela foi socorrida em estado gravíssimo e encaminhada ao Hospital das Clínicas.
Durante a internação, passou por diversas cirurgias, incluindo a amputação das duas pernas e procedimentos para conter infecções e reparar lesões na bacia. Apesar dos esforços da equipe médica, Tainara morreu em 24 de dezembro de 2025, véspera de Natal.
O laudo médico apontou septicemia e complicações decorrentes das amputações como causas da morte.
Relembre vídeo da Tainara
Acusado vai a júri popular
A Justiça de São Paulo decidiu que Douglas Alves da Silva será julgado por júri popular pelos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio contra Lucas Brito Galvão Silva, amigo da vítima. O acusado permanece preso preventivamente.
A defesa sustenta que Douglas não conhecia Tainara e contesta o enquadramento do caso como feminicídio. Já a investigação da Polícia Civil concluiu que o atropelamento foi intencional e motivado por ciúmes. A data do julgamento ainda será definida pela Justiça.
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