Está se discutindo a questão da soberania em meio ao bate-boca entre Lula e Trump. Vi um artigo em que Dagoberto Godoy, uma das principais lideranças da indústria no Rio Grande do Sul e ex-presidente da Federação das Indústrias, afirma: “Não tem soberania sem tecnologia”.
Fiquei pensando: nós temos um potencial enorme. Discutimos terras raras, mas temos matéria-prima para tudo e condições de desenvolver tecnologia a partir dos nossos próprios recursos. O Brasil tem de tudo.
Temos o PIX, o etanol, a Embraer e tantos outros exemplos. Temos muitos centros de excelência em ensino, como São José dos Campos e São Carlos, além de diversas faculdades e institutos.
Mas os cérebros…
Os bons cérebros do Brasil, os mais brilhantes, são disputados fora do país, e não aqui.
Esse é o problema. Lula fala em “soberania”. Na última sexta-feira, 17, ele disse que a guerra que vai travar com Trump é a “guerra da verdade”.
Parece piada pronta: Lula dizendo que é a guerra da verdade. Não sei de onde é que ele vai tirar a munição, né?
Ele mesmo já contou uma história, com Jaime Lerner ao seu lado, em que teria revelado que inventava números, como o de que havia “25 milhões de meninos de rua no Brasil”. Lerner teria respondido: “Ô, Lula, mas não pode ser, senão a gente não consegue nem entrar na rua”.
Lula teria dito: “Não, a gente inventa isso. O número a gente inventa”. Porque, como minha mãe dizia: “A verdade engatinha e as mentiras voam”, né?
Se fizermos uma comparação, podemos olhar para o Chile, como fez o ex-governador de Goiás Irapuan da Costa Júnior, mostrando as diferenças entre Brasil e Chile.
Só para entender: o Chile é uma “tripinha”, uma faixa estreita de terra que, de norte a sul, tem uma extensão maior que o Brasil. Só que é uma cordilheira dos Andes empurrando o país para o mar.
No norte, há deserto; no sul, geleiras. São cerca de dois mil vulcões ao longo do território, além de terremotos, tsunamis e maremotos.
Esse é o Chile. Agora, compare com o Brasil.
O Brasil tem cerca de 12 mil dólares de renda per capita; o Chile, 20 mil dólares. No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil está em 85º lugar no mundo; o Chile, em 45º. No PISA, o Chile é o líder no continente latino-americano, enquanto o Brasil aparece na penúltima posição, à frente apenas da Venezuela.
É muito triste ver o nosso atraso.
O Chile tem três Prêmios Nobel; o Brasil, nenhum. A Argentina, que é vice no futebol, tem cinco Prêmios Nobel. O Brasil continua com zero.
Mas, em homicídios, a gente ganha: são 27 por 100 mil habitantes, enquanto o Chile tem quatro.
A saúde no Chile é muito melhor; aqui, a pessoa continua morrendo na fila.
Qual é a diferença? A elite política e as escolas. Não é apenas o ensino, mas também a educação. A família chilena forma cidadãos com princípios. A educação começa em casa; o ensino é nas escolas.
Tudo isso faz diferença para a gente gritar “soberania”.
O silêncio de Lula diante da China
Desde janeiro, está em vigor uma determinação chinesa sobre a carne bovina brasileira. A cota estabelecida é de 1 milhão e 100 mil toneladas. Após esse limite, a tarifa de 12% recebe um acréscimo de 55%.
Como a cota já foi esgotada no meio do ano, daqui para frente a carne bovina brasileira importada pela China passa a sofrer uma sobretaxa de 67%.
Eu não ouvi nada do Lula reclamando do Xi Jinping.

