Redação Tribuna do Norte
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Uma semana depois de deixar a liderança do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) participa nesta quarta-feira de um evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento em Alagoinhas, na Bahia. Junto com o governador Jerônimo Rodrigues e o ex-ministro Rui Costa, os dois participam de uma cerimônia de anúncio da inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte e entrega de veículos do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação.
Wagner discursou no evento, mas não tratou da sua saída do governo nem das investigações sobre as suas ligações com o ex-banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Bano Master. Já o senador Otto Alencar (PSD-BA) fez “uma homenagem especial” ao ex-líder do governo.
Disse que se disputasse uma eleição junto com Wagner, pediria voto para o aliado e não para ele próprio. O parlamentar ainda fez uma menção indireta ao caso do colega: “Você (Jaques) é um irmão que eu conheci na caminhada da vida pública. Admiração muito grande. Com sua história, ao lado do presidente, não precisa nada, o povo vai explicar isso no dia 4 de outubro, com fé em Deus, Jaques Wagner.”.
Este ano, pela primeira vez desde 2022, Lula não participará das comemorações da Independência da Bahia no dia 2, celebração que tem ampla participação popular.
A justificativa do governo é que o presidente não deve se expor por muito tempo ao sol por causa do câncer de pele que teve na cabeça em abril. A comemoração da data é marcada por uma caminhada pelas ruas de Salvador. Wagner, que tentará a reeleição em outubro, deve comparecer.
O senador deixou a liderança do governo depois de se reunir por duas horas com Lula no Palácio do Alvorada no dia 24. A decisão foi uma tentativa de estancar o impacto na campanha à reeleição da investigação sobre a suposta atuação do parlamentar a favor do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”. Em publicação nas redes sociais após o encontro, Wagner afirmou que a decisão foi de “comum acordo” e chamou a reunião com Lula de “conversa entre amigos”.
O parlamentar havia sido aconselhado nos últimos dias por aliados próximos, especialmente do PT da Bahia, a deixar o posto para focar em sua defesa e preservar Lula do desgaste político maior às vésperas da eleição. Interlocutores do presidente afirmam que o senador pediu para deixar o cargo, como desejava o presidente.
Desde a operação da PF, no dia 18, aliados de Lula no Congresso e no Palácio do Planalto passaram a defender que o senador deixasse a liderança no Senado. Governistas apontaram o “constrangimento” com o cumprimento de mandados de busca e apreensão, o que incluiu a divulgação de uma foto de US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado a Wagner em Brasília. Ao todo, os agentes da PF recolherem o equivalente a R$ 482 mil, de acordo com a cotação atual.
“Estamos firmes”, diz Jaques Wagner com Lula
Ao participar de uma agenda ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que está “firme” na defesa do nome do chefe do Executivo para a eleição deste ano.
“Estamos firmes aqui defendendo o seu nome [Lula], o seu projeto e vamos para cima, porque esse ano é ano de festa da democracia”, afirmou. Essa é a primeira vez que os dois participam juntos de uma agenda pública, desde que Jaques anunciou sua saída da liderança do governo no Senado Federal no último dia 24.
O congressista foi pressionado por alas do governo que buscavam evitar desgastes à campanha de reeleição do presidente, já que Jaques foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) no âmbito das investigações sobre irregularidades no Banco Master. A corporação investiga um possível vínculo entre o entorno familiar do senador e suas empresas com outros nomes conectados ao banco liquidado.
A Bahia é considerada um estado importante para o PT. Governistas minimizaram o impacto da presença de Jaques ao lado de Lula. Para o presidente, “tentar evitar serem vistos juntos e fingir que não são amigos e aliados seria debochar da inteligência do eleitor”.

