Redação Tribuna do Norte
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14h00

Pode não passar de um velho jargão muito cansado, mas a vida tem riquezas feitas também de espantos. E se é para citar um deles, até hoje guardado nos olhos, confesso: foi numa manhã de verão que vi, muito de perto, uma mulher bonita, de topless, uma expressão que foi muito usada quando a nudez feminina revelou-se quase por completo. Tudo começou nas praias francesas da Cote d’Azur, com a naturalidade de quando a beleza vence o recato do pudor sem temer o olhar curioso do mundo.
Agora faço como os velhos cronistas – faz tempo, faz muito tempo. Fomos convidados para um almoço na casa de um casal de amigos, avisados de que antes tomaríamos um banho de piscina. Nada mais comum numa bela casa de praia, à beira-mar plantada. Era uma manhã com um sol de verão e os anfitriões hospedavam um casal de italianos. Ele escrevia no jornal da sua cidade, próxima de Veneza, daí a ideia do encontro. Levei um exemplar com a primeira reunião das minhas crônicas.
Já estávamos na piscina, ouvidos emaranhados nas palavras de um italiano misturado com o português, quando chegou a mulher do escritor e naturalmente retirou a tolha que trazia enrolada no corpo. Não era uma jovem no frescor dos anos, como diria, certamente, um poeta parnasiano. Nos seus quarenta anos ou perto disto, desceu, de topless, quase nua, os poucos degraus mergulhados nas águas dos azulejos azuis com a perfeição das esculturas gregas que iluminam os salões dos museus.
Olhe, Senhor Redator, sou um homem do interior. Só duas vezes vi, com esses olhos tímidos, mulheres de topless. Numa praia de Nice e em Mykonos, quando cometemos a ousadia de uma bela viagem às ilhas gregas. Foram visões à distância, diluídas, embora encantadoras, diante de um cenário de muita gente com os seus corpos estirados no banho de sol. Uma, vi de uma murada elevada, estava nua e, logo mais ali ao lado, alguns homens absortos, jogando cartas, de tão íntimos da sua nudez.
Nessas horas – pra que negar? – Rejane tem a alma bem mais livre do que a deste pobre homem da Rua da Frente. Com sua leveza, seu jeito natural de olhar o mundo, só se espanta com o muito feio ou com o horror.
Mas, os olhos nem sempre obedecem aos ditames dos bons modos. São rebeldes. Daí a dificuldade de discipliná-los. Só para dizer que não é fácil a um homem, mesmo pouco viajado, ter o hábito de olhar, sem espanto, certas coisas de um mundo feito também de coisas surpreendentes.
O escritor trocou algumas palavras em francês, com Rejane, e notou que ela gostava de postais antigos. Dias depois, chegaram, da Itália, postais de presente. Daquela manhã, ficou a sensação de que o espanto é a manifestação da vida. Quem sabe, estavam ali, materializados, os versos do ‘Sonho Grego’, de Henrique Castriciano. Um dia, sua alma sensual explodiu nos olhos do grande poeta de ‘Vibrações’ e ele viu “os pomos nus, como duas luas brancas em suas mãos, num espasmo de amor”.
PALCO
ALERTA – Ouvido de um petista raiz, no Campus da UFRN: “Se a governadora não explicar o valor da dívida do governo e como equacioná-la, o candidato Cadú Xavier vai ser cobrado na televisão”.
JOGO – O PSDB entra na campanha sem o risco da derrota. Ezequiel Ferreira apoia Álvaro Dias e Walter Alves, a Allyson Bezerra. Tucanos e aliados cumprem seu velho estilo do duplo no duplo. Em política tudo é possivel .
ESPANHA – Chega, a esta tela, o padre Agústin Juan, um jesuíta, um homem culto, de bela formação humanística, drapejando no seu alpendre a bandeira da sua Espanha querida. Ele sonha vê-la campeã.
CAIU -Com algumas das principais ruas e avenidas com velhos buracos, este ano, até agora, caiu a eficiência da ‘Operação Tapa Buraco’. É uma reclamação que chega a esta coluna. Fica esse registro.
RECORDE – Com mais quatro títulos, já programados e em preparo gráfico, o Sebo Vermelho vai bater o recorde de 700 edições nas próximas semanas. Um belo exemplo para as instituições culturais.
ELOGIO – Ao esforço da presidente da Capitania das Artes, Iracy Azevedo, ao restaurar a Galeria Newton Navarro com uma bela exposição do seu patrono, que foi abandonada nas últimas décadas.
POESIA – Do grande Manuel Bandeira, esse agrimensor da angústia humana, como historiador das nossas pobres tristezas: “Mas pra que / tanto sofrimento, / se nos céus há o lento / deslizar da noite?”.
PECADO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, sobre o que a vida social esconde: “A fidelidade no amor precisa ser verdadeira. Do contrário, é medo. E o medo é um inimigo do amor”.
CAMARIM
TECLA – Dia 23, a partir das 18h, Mardone França que brilhou como analista de pesquisas de opinião pública, lança seu livro “A Letra ‘A’”, nas varandas do Temis Clube (América), a partir das 18h. Conta as suas memórias, palavras e imagens que se encontram entrelaçadas “entre linhas e silêncios”.
DESRESPEITO – As letras fortes e vistosas das iniciais NR (Noilde Ramalho), tomam todo o muro da Escola Doméstica. Um desrespeito à memória do seu fundador, Henrique Castriciano. Falta só derreter o bronze do seu busto para fazer o busto de NR. A Liga de Ensino não é propriedade familiar.
CARTAS – A editora Companhia das Letras anunciou, para início desse agosto que anda próximo, o lançamento da correspondência de Jorge Amado e Érico Veríssimo. As cartas reúnem confidências, divergências e afetos nos diálogos da resistência contra a censura, o autoritarismo e a intolerância.
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