A lista de 442 municípios com as menores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tem paraísos turísticos, como Ilhéus (BA) e São Miguel do Gostoso (RN); cidades grandes, como São Gonçalo (RJ) e Feira de Santana (BA); 66 prefeituras abastecidas com royalties para a Educação, como Duque de Caxias (RJ) e Santo Amaro (BA); e até uma capital, Natal. Na última semana, o Ministério da Educação (MEC) divulgou que todas elas serão chamadas a Brasília com a oferta de ajuda para que melhorem o desempenho no principal indicador da área.
Criado em 2007, o Ideb é medido a cada dois anos, considerando dois fatores em seu cálculo: a aprendizagem em Português e Matemática, por meio da nota do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), e a quantidade de alunos aprovados. Os dados de 2025, divulgados na última quarta-feira, mostram que a única meta ultrapassada foi a dos anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano). Em 2025, o país atingiu média 6,3, numa escala de zero a dez.
Essas 442 redes municipais, no entanto, não conseguiram passar a barreira da nota 5, o que as colocou entre as piores do país nos anos iniciais dessa etapa de ensino. Na Bahia, estado com o maior número de prefeituras na lista (107), um quarto das redes municipais está nessa situação. Já no Amapá, dez (65%) das 16 cidades tiveram Ideb abaixo de 5.
— O Brasil tem desigualdades socioeconômicas significativas. Estratégias únicas não serão suficientes para desafios tão profundos e variados. Se desejamos que todos os alunos tenham uma educação de qualidade, teremos que colocar no centro do debate, e de nossas estratégias, propostas que enderecem a equidade — disse a superintendente do Instituto Natura, Maria Slemenson.

