InícioOpiniãoISC ganha centralidade estratégica nas empresas - 20/07/2026 - Papo de Responsa

ISC ganha centralidade estratégica nas empresas – 20/07/2026 – Papo de Responsa

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Nosso tempo vem sendo marcado pelo aprofundamento e pela sobreposição de crises sociais, econômicas e ambientais. Eventos climáticos extremos, desigualdades persistentes, derretimento da coesão social, fragilidades institucionais e instabilidades econômicas configuram um cenário em que os riscos à vida, ao meio ambiente e aos negócios se conectam e se potencializam mutuamente.

Tal complexidade dos desafios contemporâneos exige abordagens sistêmicas, capazes de considerar múltiplas dimensões e de articular diferentes atores na construção de soluções.

A efetividade no enfrentamento destes desafios depende, em boa medida, da contribuição do setor privado, que pode se engajar em arranjos colaborativos para desenvolver soluções em conjunto com o poder público, sociedade civil e outras empresas, inclusive em agendas pré-competitivas com empresas do mesmo segmento econômico.

As corporações possuem muita prática em arranjos semelhantes a partir das entidades de classe, que defendem seus interesses comuns perante governo e sociedade. Entretanto, a complexidade dos desafios atuais e a amplitude de seus impactos demandam colaboração intersetorial, espaços de escuta e alinhamento de objetivos entre atores distintos.

Sob a perspectiva do setor privado, identificamos um importante potencial na atribuição de maior centralidade estratégica às estruturas de ISC (Investimento Social Corporativo), que reúnem a expertise necessária para representar a corporação na construção de soluções comuns e compartilhadas voltadas ao interesse público.

Empresas, institutos e fundações corporativas são as principais fontes de recursos filantrópicos no Brasil, cumprindo papel vital na sustentação de um ecossistema de organizações que fortalecem causas sociais relevantes, apoiam comunidades e territórios desassistidos pela estrutura produtiva e pelas políticas públicas e catalisam inovações que transformam mercados e ampliam a capacidade estatal na entrega de serviços públicos.

Desta forma, o maior envolvimento do setor empresarial é estratégico para o país. Governos enfrentam crescentes restrições fiscais, políticas e operacionais para responder à complexidade das demandas públicas.

A sociedade civil organizada detém grande estoque de conhecimento e proximidade com os territórios, mas carece frequentemente de escala e de recursos. Já o setor empresarial dispõe de capacidades de gestão, inovação, recursos financeiros e cadeia de relacionamentos que podem ser mobilizados em favor do interesse público.

O ISC se posiciona, portanto, como ponte entre esses diferentes atores, viabilizando cooperação, alinhamento de agendas e soluções compartilhadas —e vem assumindo papel mais estratégico para as próprias empresas mantenedoras.

Para as corporações, o ISC representa uma resposta estruturada às transformações do ambiente social em que atuam, construindo o desenvolvimento sustentável na sua interface de relacionamentos com seus territórios e comunidades e produzindo valor para o negócio ao mitigar riscos, estabilizar cadeias produtivas e gerar diferencial competitivo.

O Bisc (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), frente da Comunitas que atua na qualificação da agenda social empresarial, vem mostrando como o ISC vem migrando de uma posição periférica para o centro do planejamento estratégico e gerando valor compartilhado à sociedade e aos negócios.

A partir de eixos estratégicos que podem ser muito diversos —como inclusão produtiva, leis de incentivo fiscal, educação de crianças em matemática, adaptação climática, engajamento social das cadeias produtivas e desenvolvimento comunitário e territorial—, empresas de referência em investimento social no Brasil mostram como os desafios sociais e do negócio podem ser endereçados de forma conjunta e sistêmica, respeitando os limites entre interesse privado e público e potencializando os papéis da sociedade civil e dos governos.

O desenvolvimento social do Brasil passa pelo engajamento mais amplo das corporações na construção de um país mais próspero. Apenas 20% das empresas de capital aberto no país relatam suas atividades de ISC, o que evidencia uma ampla oportunidade de crescimento desta agenda.


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