O Irã anunciou nesta quarta-feira, 5, que chegou a um acordo com o Omã sobre a divisão e administração do Estreito de Ormuz, rota por onde passa um quinto do petróleo e gás consumidos no planeta.
O ministério de Relações Exteriores iraniano informou que os negociadores de ambos os países estão finalizando os detalhes da administração conjunta da passagem e do controle do tráfego de embarcações.
“As coordenadas geográficas da rota proposta pelos dois países já foram definidas. Se não houver interferência de terceiros, a declaração conjunta, que reunirá os principais pontos de consenso e as considerações acordadas, também está em fase final de revisão e redação”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei.
A proposta estabelece um novo sistema de navegação, diferente do adotado antes da guerra. Pelo acordo, os navios entrarão no Golfo Pérsico por uma rota sob controle do Irã e deixarão a região por uma passagem administrada por Omã, em uma tentativa de reorganizar o fluxo marítimo na área.
Apesar do avanço nas negociações, Baqaei ressaltou que o entendimento bilateral, por si só, não será suficiente para garantir a segurança no estreito. Segundo ele, o impasse permanece ligado ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos e à oposição de Washington à cobrança de pedágios ou à exigência de autorizações por parte do Irã para a navegação.
Ponto de atrito
Estratégica rota marítima no centro das tensões no Oriente Médio, Ormuz tem sido um dos principais pontos de atrito ao longo das tentativas diplomáticas para encerrar o conflito e foi o estopim das novas ofensivas entre Irã e Estados Unidos após os dois acordos de cessar-fogo (de abril e junho).
O novo acordo foi firmado poucas horas após o presidente americano Donald Trump afirmar que o Irã seria “duramente atingido” caso as negociações para reabrir o estreito fracassem.
O Irã expressou intenção de ampliar seu controle sobre a rota e cobrar pedágios, algo que não fazia antes da guerra, medidas às quais os Estados Unidos se opõem. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores iraniano negou estar negociando com Washington, apesar de Trump insistir que as conversas estão em andamento. Já o Catar, mediador nas conversas, afirmou que os contatos diplomáticos continuavam em andamento, mas que não estavam previstas reuniões diretas entre as partes.
Possíveis termos do acordo
O portal de notícias Axios citou, sob condição de anonimato, autoridades regionais e um funcionário americano sobre um possível arranjo de 60 dias para a passagem segura pelo estreito — período durante o qual não seria cobrado nenhum pedágio. Segundo a apuração, o trato, que vinha sendo negociado há várias semanas, visa retomar o cessar-fogo e reiniciar o processo diplomático mais amplo, com intuito de chegar a um acordo nuclear.
Essas tratativas envolveram conversas diretas entre Omã e Irã, e mediadores do Catar, do Paquistão e da Arábia Saudita. A Casa Branca também participou ativamente: segundo o Axios, houve várias conversas telefônicas entre o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, os chanceleres do Irã, Abbas Araghchi, e de Omã, Badr al-Busaidi.
Ataque no Mar Vermelho
As perturbações no fluxo de navegação em Ormuz aumentaram a importância das rotas marítimas pelo Mar Vermelho, onde os rebeldes hutis, grupo apoiado pelo Irã que controla amplos territórios no Iêmen, declararam em 20 de julho um bloqueio marítimo à Arábia Saudita, aliada próxima de Washington, e atacaram infraestruturas petrolíferas do reino.
O porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, permitiu a Riad manter seus envios aos mercados globais, contornando completamente Ormuz, mas desde que os hutis anunciaram seu bloqueio, reivindicaram ataques contra vários navios. Na terça-feira, a embarcação indiana MSV Faize Noore Oliya afundou em local próximo à costa do Iêmen após ter sido bombardeado. Autoridades da Índia informaram que os 14 tripulantes foram resgatados, enquanto o governo iemenita atribuiu a incursão aos rebeldes.
Também na terça-feira, um aeroporto no sudoeste da Arábia Saudita, perto da fronteira com o Iêmen, suspendeu suas operações depois de um ataque huti.

