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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta sexta-feira, 5, que dados da inteligência britânica sugerem que a Rússia pode atacar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), principal aliança militar ocidental, “já em 2030”. O alerta ocorre após uma onda de incursões de drones atrelados a Moscou violar o espaço aéreo de países do flanco leste da Otan, como Romênia (onde um prédio residencial foi atingido e duas pessoas ficaram feridas na semana passada), Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia.
Em visita a Wiltshire, no sudoeste da Inglaterra, Starmer anunciou que um plano de investimento em defesa será publicado antes da cúpula da Otan na Turquia, prevista para 7 de julho. Ele disse que o documento deve ser divulgado “nas próximas semanas”. A proposta foi adiada várias vezes apesar de alertas de que as forças armadas britânicas enfrentam um déficit de financiamento de 28 bilhões de libras (cerca de R$ 191 bilhões) pelos próximos quatro anos.
“Caso fosse necessário algum lembrete sobre a importância disso, nossa avaliação de inteligência, e a avaliação de outros países da OTAN, indica que pode haver um ataque da Rússia à Otan já em 2030. Assim, vocês podem perceber a urgência e a prioridade que estamos dando a isso”, disse Starmer a repórteres. “Esse plano de investimento em defesa será realmente importante, pois estará muito focado na capacidade que precisaremos para defender nosso país no futuro.”
Em declaração anterior à emissora britânica BBC, o chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, Richard Knighton, indicou que a Rússia estava “sondando, desafiando e testando nossas defesas”, incluindo “ataques cibernéticos ou tentativas de contrabando de tecnologia, além de sabotagens imprudentes e tentativas de assassinato”.
“Este é o período mais perigoso que já vivi em minha vida profissional”, advertiu ele, acrescentando que a Grã-Bretanha precisava estar preparada para “conflitos mais longos”.
+ Otan chama Rússia de ‘irresponsável’ após drone atingir prédio residencial na Romênia
Ataque à Romênia
Após o ataque de um drone à Romênia na última sexta-feira, 29, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que disse que a aliança militar ocidental está “pronta para defender cada centímetro” de seu território. O dispositivo, vinculado à Rússia por Bucareste, atingiu um prédio residencial a cidade de Galati, perto da fronteira com a Ucrânia.
“O comportamento irresponsável da Rússia representa um perigo para todos nós. Eles continuam a atacar civis e infraestrutura civil em toda a Ucrânia. E a noite passada demonstrou, mais uma vez, que as implicações de sua guerra de agressão ilegal não se limitam à fronteira”, escreveu Rutte, depois de telefonar para o presidente da Romênia, Nicușor Dan.
“A guerra da Rússia precisa acabar, assim como seu desrespeito pela segurança civil. De nossa parte, continuaremos a fortalecer nossa dissuasão e defesa em território nacional e a apoiar a Ucrânia em sua defesa contra a agressão russa”, concluiu.
Em resposta à acusação, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscou “nunca ameaçou e não está ameaçando os países europeus”. O líder russo afirmou ainda que “ninguém pode dizer” a origem do drone “até que seja feita uma análise especializada”, sugerindo que o armamento poderia ser ucraniano. Ele pediu que os destroços do drone fossem entregues à Rússia para que pudesse conduzir sua própria investigação independente.

