Crianças não têm necessidade evolutiva de ficar no celular. Elas têm uma necessidade de estar umas com as outras. Temos que encontrar maneiras para que façam isso. Se tudo o que sabem é competir por seguidores ou visualizações, bem, então é nisso que elas vão se concentrar. Portanto, é importante encontrar maneiras de deixá-las serem crianças e adolescentes. Nossos países têm muito em comum. São grandes, diversos e com taxas de criminalidade relativamente altas em comparação com a Europa. Mas eu diria que o Brasil e a Austrália são as duas nações que lideram a resposta e que estão tomando medidas para proteger as crianças. O desafio que vi no Brasil é que, como algumas cidades têm altas taxas de criminalidade, os pais têm medo de deixar seus filhos saírem, mesmo aos 11, 12, 13 anos. Vocês estão fazendo a coisa certa ao controlar o uso do telefone, mas agora vocês precisam encontrar maneiras para que os adolescentes estejam protegidos no mundo real. E em alguns lugares do Brasil, o mundo real é perigoso. Os brasileiros talvez tenham que trabalhar mais por espaços onde os adolescentes possam conviver de uma maneira que seja fisicamente seguro, mas que não esteja sob a supervisão direta de adultos. Crianças, adolescentes precisam de alguma independência e cada país terá que encontrar maneiras diferentes de dar isso a eles.

