Redação Tribuna do Norte
•
•
17h00

Deputados estaduais da situação e da oposição analisam de forma controversa o debate político sobre temas “sensíveis” da gestão pública, e levados adiante no governo Fátima Bezerra (PT), mas que certamente serão avaliados durante a campanha eleitoral propriamente dita, a partir de 16 de agosto.
Questões atinentes às áreas da segurança pública, saúde, educação e contas públicas serão apresentadas ao eleitorado pelos candidatos ao pleito proporcional (deputados estadual e federal) e majoritários (governador e senador) e deverão constar, principalmente, no programa de cada candidato à sucessão de Fátima Bezerra por ocasião dos registros de chapas até o dia 15 de agosto.
Presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Luiz Eduardo (PL) avalia que as questões mais sensíveis para o governo Fátima Bezerra são as contas públicas, públicas, segurança e saúde.
O deputado Luiz Eduardo cita, em primeiro lugar, as contas públicas, “porque o Estado chega a 2026 com déficit bilionário e baixa capacidade de investimento”, e em seguida a segurança pública: “A população sente medo nas ruas, nos bairros, no comércio e até nas áreas turísticas”.
Quanto à saúde Luiz Eduardo avalia que “o cidadão potiguar continua enfrentando filas no atendimento nas unidades de saúde, demora, falta de estrutura e sofrimento para ser atendido”.
“A educação também entra no debate, porque não basta discurso: é preciso resultado concreto na vida dos alunos”, assinalou Luiz Eduardo.
Para o deputado oposicionista, “o governo vai ter dificuldade de explicar por que arrecadou tanto, aumentou impostos e mesmo assim não entregou. O Rio Grande do Norte precisa discutir gestão, eficiência e prioridade com o dinheiro público. Não adianta propaganda se o povo sente na pele a insegurança, a fila da saúde e a falta de obras estruturantes”.
Além disso, Luiz Eduardo declarou que “como defensor do turismo, também vê que segurança, infraestrutura e imagem do Estado impactam diretamente nossa economia. Portanto, 2026 será o ano de cobrar: o que foi feito, onde o dinheiro foi parar e por que o RN não avançou como deveria”.
Já o deputado estadual Coronel Azevedo (PL) acha que o tema “mais sensível será a falta de gestão”, porque as contas públicas “revelam o tamanho do problema, com déficit, dívidas e atrasos que atingem servidores e fornecedores”.
Coronel Azevedo acrescenta que na segurança, “o povo ainda convive com medo, facções e sensação de abandono. Na saúde, o Hospital Walfredo (HWG) Gurgel e os hospitais regionais mostram diariamente o sofrimento da população”.
Em relação à área da educação, Azevedo considera “ inaceitável que um governo comandado por uma professora deixe o ensino médio do RN entre os piores do país”.
“Mas todos esses temas têm uma raiz comum: o governo perdeu capacidade de governar. Prometeu muito, arrecadou muito e entregou pouco”, arrematou o deputado, para quem a campanha eleitoral de 2026 “vai discutir exatamente isso: por que o RN ficou para trás? Por fim, Azevedo disse que “o povo quer saber onde foi parar o dinheiro dos impostos. E quer um governo que resolva, não um governo que apenas faça propaganda”.
De maneira sucinta, o deputado Nelter Queiroz (PP) assinalou que depois de passar dois anos do primeiro mandato com o governo do presidente Jair Bolsonaro (2019/2022), a própria governadora do Estado, Fátima Bezerra, declarou que no segundo governo, com Lula presidente, “iria melhorar a educação, a segurança, as estradas…”
“Então, qual é o retrato? A segurança não teve melhora, na educação, o Ideb muito abaixo em relação a todo todo o país, a saúde, infelizmente, também um desastre, ela com o governo do Estado na mão e com o governo federal do lado dela”, enumerou Queiroz.
Segundo Queiroz, “tudo o que a governadora que queria na Assembleia, foi aprovado, conseguiu ano passado, não com o meu apoio, com os deputados da base que ela tinha, aumentar o ICMS de 18% para 20%.
Infelizmente, o retrato que ela está deixando para o estado e a dívida, não sei se triplicou ou aumentou quatro vezes mais e os salários atrasados dos terceirizados da saúde e da educação”.
Em resumo, Nelter Queiroz disse que Fátima “administrou quatro anos com o governo federal ao lado dela, greve em cima de greve, atraso e atraso, então esse é o retrato que por isso que ela está com essa rejeição, grande demais, rejeição de 65 a 70%”.
Governistas defendem o debate eleitoral
Deputada de situação, Isolda Dantas admite que “alguns temas serão centrais durante o período eleitoral, e todo governo que busca reeleger seu projeto vai enfrentar um debate intenso, especialmente num cenário nacional de forte polarização e de dificuldades econômicas acumuladas historicamente pelos estados”.
No caso do Rio Grande do Norte, a deputada Isolda Dantas concorda que áreas como segurança, saúde e contas públicas “naturalmente estarão no centro do debate, porque são temas importantes que impactam diretamente a vida das pessoas”.
Isolda Dantas assevera que “mais é importante fazer esse debate com honestidade. O RN enfrenta muitos desafios estruturais, porém, houve avanços concretos em todas as áreas ao longo do governo da professora Fátima Bezerra.
Na segurança, por exemplo, Isolda Dantas defende que o Estado “saiu de um dos cenários mais violentos do país para o que mais avançou na segurança no Brasil, com uma redução histórica dos índices de criminalidade”.
A respeito da educação, a deputada do PT pontua que “houve retomada de investimentos, concursos e recuperação da rede estadual”, enquanto na área de saúde “houve ampliação de serviços e realização de concursos. E nas contas públicas, o governo conseguiu recuperar capacidade administrativa e manter salários em dia, algo que durante anos foi um drama para os servidores”.
“A professora Fátima melhorou o estado em toda as áreas, e nisso não há o que se discutir”, repetiu Isolda Dantas, que acentuou: “Mais do que um ‘ponto sensível’, o debate de 2026 deve girar em torno da disputa entre narrativas: de um lado, quem vai tentar explorar as dificuldades históricas que ainda existem; do outro, quem vai apresentar os avanços concretos realizados e o que ainda precisa ser feito para o RN seguir melhorando”.
Finalmente, a deputada petista disse que “o tema mais sensível que deverá entrar no debate é a memória de como o nosso Estado estava em dezembro de 2017”.
Também integrante da base aliada do governo na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Ubaldo Fernandes (PV) assegura que a questão a ser mais abordada na campanha político-eleitoral deste ano é a segurança pública, que “também é o tema nacional, principalmente pela direita”, porque “há de fato uma crise em alguns estados na segurança pública, mas que não pode ser comparada em relação ao Rio Grande do Norte”.
“Eles (direita) vão tentar de todas as formas trazer esse tema, aproveitando alguns problemas pontuais que acontecem, mas o Rio Grande do Norte avançou, quem não se lembra dos anos 2017, 2018 até 2019, a crise na segurança pública, os motins nos presídios, e com o governo de fato, ele priorizou a segurança pública, trazendo os investimentos em parceria com o governo federal, o índice de criminalidade caiu de uma forma bem considerável”, reforçou Fernandes.
Na avaliação de Fernandes, a temática do equilíbrio fiscal do Estado também será muito debatida, entendendo que “o Estado de anos para trás do governo de Fatima, houve de fato desequilíbrio muito forte inclusive na previdência, o rombo da previdência, onde foi utilizado o recurso da previdência para outras finalidades, e o governo teve que arcar também com os salários atrasados do governo de Robinson Faria e de Fátima”.
Ubaldo Fernandes ponderou que “de fato o governo teve dificuldade de haver grandes investimentos, como a população às vezes quer que aconteça, porque o governo priorizou acima de tudo o pagamento dos servidores do Estado e também foi o governo que priorizou muito a ascensão funcional de todas as categorias do Estado, principalmente a segurança pública, todos os órgãos da segurança pública, polícia militar, polícia civil, polícia penal, polícia científica, cor-bombeiro, houve ascensão funcional de todo o seu quadro de servidores e outras categorias também”.
“Por isso que o Estado não teve tanto a capacidade de investimento, tendo em vista que o governo priorizou acima de tudo a valorização do servidor público do Rio Grande do Norte”, reafirmou Fernandes.
E sua conclusão, Fernandes destacou que os adversários políticos do governo “diziam que a partir de abril o governo iria atrasar salários de servidores. Nós passamos abril, pagamento em dia, passamos o mês de maio, com certeza pagamento em dia, então não há essa deficiência ou dificuldade total como uns acreditavam ter”.

