O sistema de cobrança de pedágio sem parada, conhecido como Free Flow, está em plena expansão no Brasil e transformando o mercado de meios de pagamento viário. Com cerca de 13 concessionárias e pouco menos de 100 pórticos já instalados, o modelo ainda cobre uma fração da malha rodoviária nacional, estimada em aproximadamente 25 mil quilômetros, mas a tendência é de crescimento acelerado nos próximos anos.
Adaptação e comunicação como desafios iniciais
A suspensão temporária de multas para usuários nas rodovias com Free Flow, ocorrida ao longo deste ano, foi interpretada como uma necessidade de ajuste do sistema. Durante entrevista ao programa “É Negócio” da CNN Brasil, Ricardo Kaoru, CEO da ConectCar, disse que “o grande ponto que teve com relação à questão das multas é o problema de comunicação. As pessoas não entendiam muito bem como funciona o sistema”, explicou o representante. Segundo Kaoru, foi necessária uma pausa para que órgãos reguladores, empresas e concessionárias pudessem alinhar melhor a comunicação com os clientes.
Para quem não possui uma tag de pedágio, a alternativa é acessar individualmente o site de cada concessionária para efetuar o pagamento, um processo considerado trabalhoso. “Cada estrada que você passar, você tem que entrar num site”. A tag, por sua vez, oferece interoperabilidade entre todas as concessionárias, debitando automaticamente os valores sem que o motorista precise identificar por qual trecho passou.
Crescimento de 70% e base de quase 5 milhões de usuários
A ConnectCar já registra impactos concretos da expansão do Free Flow em seus negócios. “Nos últimos dois anos, o setor todo de tags cresceu em torno de 70%”, afirmou o executivo. A companhia conta atualmente com quase 5 milhões de usuários e fatura aproximadamente 6 bilhões de reais por ano. O segmento B2B, voltado para frotas e empresas, representa cerca de 20% do faturamento total.
Parceria com a Visa e expansão para o mercado de frotas
Mais recentemente, a ConnectCar firmou uma parceria com a Visa voltada ao segmento de caminhões, por meio do chamado vale-pedágio obrigatório. O modelo dispensa o uso de dispositivo físico e permite o cadastro do veículo, da placa, do motorista e de toda a roteirização da viagem. “Você cadastra por onde ele vai passar, em quais praças de pedágio, em quais concessionárias ele vai estar fazendo a viagem, qual o valor que ele vai estar pagando”, detalhou. A solução atende tanto empresas com frotas próprias quanto caminhoneiros autônomos, configurando um modelo que a própria empresa define como B2B2C, modelo de negócios onde uma empresa vende para outra empresa.
Futuro do Free Flow: cancelas devem desaparecer em 5 a 7 anos
A perspectiva para o setor é de que, entre 5 e 7 anos, a grande maioria das rodovias já opere no modelo Free Flow. O fim total das cancelas, no entanto, não é considerado certo. “Em algum lugar, em alguma estrada, talvez a cancela ainda continue a ser utilizada”, ponderou Kaoru. As novas concessões já saem obrigatoriamente com o modelo sem parada, enquanto as antigas podem submeter propostas de conversão praça a praça. Quanto à tecnologia de leitura de placas por câmera, a avaliação é de que ela ainda precisa evoluir em termos de segurança antes de substituir completamente as tags como meio de identificação dos veículos.
É Negócio
O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil, Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.

