Redação Tribuna do Norte
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Nome conhecido da noite natalense há pelo menos uma década, o cantor e compositor Filipe Toca é um jovem veterano que acabou de lançar seu primeiro álbum, “Muita Sede”, um registro repleto de potência e ideias novas, na qual ele bebe numa fonte de possibilidades. O disco marca um novo momento na trajetória de Filipe, que transforma sua nordestinidade em ponto de partida para cantar o amor, o desejo, a saudade e os afetos cotidianos que atravessam sua geração.
O álbum traz participações especiais de Duda Beat, Mariana Aydar e Agnes Nunes, três nomes que sintonizam o cantor potiguar com a MPB e o pop contemporâneos. Entre referências do forró, da música popular brasileira e da nova cena pop nordestina, “Muita Sede” constrói uma narrativa marcada pela delicadeza emocional, pela força das imagens afetivas e por uma sonoridade que aproxima tradição e contemporaneidade.
O primeiro disco de Filipe pretende atravessar fronteiras, mas não esquece de onde vem. “Assim que alguém dá o play no disco, a primeira palavra que ouve é ‘caju’. Nada estranho pra um artista que foi criado no pé do maior cajueiro do mundo”, diz ele, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. “Muita Sede” é nacional, global, mas também é repleto de referências de um artista nascido e criado numa cidade do litoral nordestino, cheia de sol, mar e ondas.
Filipe canta sobre romances interrompidos, memórias familiares, encontros, despedidas, e sentimentos que permanecem vivos mesmo depois da distância. O cantor falou ao jornal sobre as referências que permeiam o disco, as misturas de sons, a identidade potiguar e nordestina impressas no repertório, e a contribuição de cada cantora que participou das músicas. Filipe tem sede de ser ouvido e emocionar seus ouvintes. Confira o bate-papo:
Esse é o seu primeiro álbum e marca uma nova fase na sua carreira. O que você espera que o público sinta ou descubra sobre você nesse disco?
Eu quero que o público me perceba como um artista dessa nova geração que tá afim de dar continuidade à essa parte maravilhosa da nossa música, a MPB nordestina. Eu acho que me encontrei aí.
“Muita Sede” mistura referências do forró, do pop e da nova MPB. Como foi encontrar o equilíbrio entre esses gêneros?
A minha cabeça é uma bagunça (hahaha), eu sempre fui influenciado por coisas diferentes, na mesma época que eu descobri que amava tocar como Alceu Valença e Geraldo Azevedo, eu queria ter uma banda como Natiruts. E na adolescência aprendia a tocar Chico Buarque no violão depois ia pro show de Aviões do Forró. Acho que o conceito de MPB tem a ver com isso, o Brasil é uma grande mistura e tudo isso foi o que me formou.
A nordestinidade é um ponto de partida do disco. De que forma suas vivências no RN aparecem no álbum?
Assim que alguém dá o play no disco, a primeira palavra que ouve é “Caju”. Nada estranho pra um artista que foi criado no pé do maior cajueiro do mundo. Nessa música, meu primo Leão Neto, artista potiguar também, me mandou uma letra que já era quase igual a que ficou na canção “Mangaba Menina”, eu só mudei alguns detalhes pra caber na melodia que criei. Mas o fato é que essa música é a mais potiguar de todas do disco, ela traz uma energia de tropicalidade nordestina poética e visual. Muito se fala no nordeste do sertão, mas pra mim, o nordeste que eu vi a vida toda foi o do mar, das praias, a minha vida é isso, sempre foi.
Como nasceram as parcerias com as cantoras e o que cada uma acrescentou ao resultado final do disco?
Eu tenho muito carinho por cada uma dessas participações. Duda Beat trouxe todo aquele molho de brasilidade pra esse disco, a música “Olhar de quem não presta” é a mais pop do disco. Ela virou uma parceirona que eu tenho muito carinho. Mariana Aydar eu tive a honra de convidar e foi lindo por toda história e amor que ela tem com o forró, a canção que ela participa se chama “Foi no São João” e é uma homenagem à melhor época do ano. Agnes Nunes já era minha parceira antes desse ‘feat’, eu já tinha tido a oportunidade de colaborar em um disco dela compondo algumas músicas e quando eu fiz a música “Borboleta Furta-cor”, vi que precisa de uma voz feminina que tivesse uma força espiritual e ela me veio logo na mente. Agnes é demais.

