A filha da soldado Gisele Alves Santana, morta em fevereiro em São Paulo, depôs à Justiça nesta quarta-feira (1) em audiência de instrução no processo que julgará o ex-marido da policial, o tenente-coronel aposentado Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob a acusação de assassinar a esposa.
A menina, de 7 anos, chegou ao Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista, acompanhada do pai e de um advogado. Por meio de um instrumento chamado de psicoeducação jurídica, a criança obteve informações sobre o processo de forma lúdica e pôde decidir se gostaria de prestar esclarecimentos. Ela aceitou e foi ouvida na sequência.
É terceiro dia de oitivas sobre o caso, na 5ª Vara do Júri de São Paulo. Na sexta-feira (3), será a vez de Geraldo Neto depor. Ele sustenta a versão de que a esposa se suicidou, mas diversas inconsistências nessa tese o levaram a ser indiciado e tornar-se réu na ação.
Nesta quarta, outros familiares e amigos de Gisele também foram arrolados e prestaram depoimentos. Os nomes e os teores das oitivas não foram divulgados.
No dia anterior, foram ouvidos dez policiais militares, entre agentes e bombeiros que prestaram os primeiros socorros à vítima. Os depoimentos deles foram importantes desde o início da investigação, para mostrar pontos desconexos entre as alegações de Geraldo Neto. Foram eles, por exemplo, que relataram, ainda na delegacia, que o tenente-coronel, pessoa de maior patente no local do crime (e então na ativa), havia tomado banho após a chegada dos agentes, mesmo sendo orientado a não fazê-lo. Devido a esses fatos, ele passou a responder, além de feminicídio, por fraude processual.

