Os Estados Unidos escalaram sua renovada campanha de bombardeios contra o Irã na sexta-feira (17), atingindo pontes e um aeroporto, e Teerã respondeu com ataques a bases americanas em todo o Oriente Médio.
No disputado estreito de Hormuz, onde o conflito renovado voltou a interromper o fornecimento global de energia, fuzileiros navais americanos abordaram um navio-tanque e outra embarcação teria sido atingida por um projétil.
O Ministério da Saúde iraniano afirmou também nesta sexta que 38 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas nos ataques americanos no Irã desde 22 de junho.
Os lados em guerra têm testado os limites da escalada desde que o acordo de cessar-fogo entrou em colapso na semana passada, levantando a possibilidade de um retorno à guerra total.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou lançar ataques aéreos amplos contra a infraestrutura do Irã e também não descartou um ataque terrestre à costa ou às ilhas iranianas. Autoridades americanas afirmaram que os ataques ao sul do Irã foram planejados, em parte, para dar opções a Trump.
Mas tais movimentos correm o risco de provocar o Irã a escalar em resposta, atacando a infraestrutura de países vizinhos ou interrompendo ainda mais o fornecimento de energia ao fazer com que seus aliados no Iêmen ataquem navios vindos do Mar Vermelho.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA incluiu “infraestrutura logística militar” na lista de alvos que disse ter atingido em seus últimos ataques ao Irã, a primeira vez que menciona infraestrutura em mais de uma semana.
Por enquanto, os ataques pareciam estar limitados principalmente às áreas costeiras do sul, que já foram alvo de intensos bombardeios nos últimos dias.
A mídia estatal iraniana disse que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul. Sete pessoas teriam sido mortas em ataques a pontes no porto de Bandar Khamir, no sul, onde a estação de trem também foi atingida. Um aeroporto teria sido atingido mais a leste e longe da costa, em Iranshahr, em uma província que faz fronteira com o Paquistão.
A Reuters não pôde verificar os relatos, que também descreveram outros ataques mortais, incluindo um que matou uma mulher e feriu seu filho no porto de Bandar Abbas.
O Irã disse ter atacado bases americanas no Kuwait e no Bahrein, além de uma estação de radar dos EUA em Omã. Explosões também foram ouvidas na capital do Catar, Doha, onde o Ministério do Interior disse que uma criança foi ferida por estilhaços.
O Irã disse ter disparado contra a Síria, aparentemente pela primeira vez na guerra, mirando o que descreveu como uma base de forças especiais dos EUA em Tanf. A Síria afirma que as forças americanas se retiraram da base no início deste ano. Uma fonte militar síria disse que o ataque atingiu as proximidades da base e não causou danos ou vítimas.
Um acordo provisório para encerrar a guerra entrou em colapso desde 7 de julho, quando o Irã atacou navios no estreito de Hormuz e os Estados Unidos responderam com ataques aéreos.
Os combates renovados mais uma vez paralisaram em grande parte o tráfego pela rota de transporte de energia mais importante do mundo, fazendo os preços do petróleo LCOc1 dispararem para cerca de US$ 85 o barril esta semana.
O Irã anunciou o fechamento do estreito, e Washington reinstituiu seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
Nos últimos incidentes no mar, os militares americanos disseram ter abordado o navio-tanque Wen Yao para fazer cumprir o bloqueio, divulgando fotos de fuzileiros navais descendo de rapel de um helicóptero até o convés, onde um deles posou em frente a uma bandeira iraniana.
O serviço britânico de segurança marítima UKMTO relatou que um navio-tanque foi atingido por um projétil na quinta-feira (16) ao largo da costa de Omã.
Embora ambos os lados tenham trocado ataques diariamente, até agora evitaram escalar além dos parâmetros estabelecidos no início da guerra, quando a infraestrutura civil e os principais alvos econômicos foram em grande parte considerados fora dos limites devido à ameaça de retaliação.
O Irã disse que atacaria a infraestrutura civil em todo o Oriente Médio se Trump cumprir as ameaças de atacar a infraestrutura iraniana.
Também sinalizou que poderia incitar seus aliados houthis no Iêmen a fechar outro estreito importante: o Bab al-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, potencialmente agravando a crise energética global ao cortar outra rota de saída para o petróleo do Oriente Médio. Fontes disseram à Reuters que o Irã já instruiu os houthis a agir caso Washington ataque a infraestrutura iraniana.
A alta nos preços da energia gerada pelo conflito criou pressão sobre Trump para encerrar a guerra impopular o mais rápido possível. Mas deixar o Irã no controle do estreito seria um constrangimento estratégico em uma região onde as forças americanas serviram como principal garantidor de segurança por gerações.
Em um discurso televisionado na noite de quinta, que tratava principalmente de segurança eleitoral, Trump disse que os Estados Unidos estão “vencendo de forma expressiva no Irã, e vocês verão os frutos desse trabalho muito, muito em breve”.

