Depois de nove meses de quase estagnação, a economia brasileira voltou a mostrar vigor aparente no primeiro trimestre deste ano. Como divulgou o IBGE, o Produto Interno Bruto cresceu 1,1% na comparação com os três meses anteriores —uma taxa que seria excelente, se fosse duradoura.
Não é o que se espera, no entanto, embora a série de estímulos eleitoreiros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa dar mais algum impulso de curto prazo ao consumo e à atividade.
O avanço do PIB de janeiro a março refletiu expansão similar, de 1%, do consumo das famílias, até então travado pelos juros de 15% ao ano impostos pelo Banco Central para conter a inflação. A Selic só começou a cair em março e está, hoje, em ainda sufocantes 14,5%, e o maior impulso às compras parece ter sido a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda das pessoas físicas.
O investimento, gasto destinado a elevar a capacidade produtiva de empresas e governos, teve alta de 3,5%, mas a cifra é enganosa após uma queda de magnitude comparável (3,4%) no trimestre anterior. Considerando um período mais longo, de 12 meses, o aumento é de apenas 0,4%, ante 1,2% verificado no consumo.
Veem-se os estertores de um modelo de crescimento econômico impulsionado pelo gasto público, sobretudo transferências diretas de dinheiro às famílias por meio de benefícios previdenciários e assistenciais.
Desse modo se obtiveram taxas de expansão anual na casa dos 3% entre 2022 e 2024, acima das expectativas iniciais de mercado. O preço de turbinar a demanda acima das possibilidades da oferta, no entanto, não tardou a chegar —na forma de pressões inflacionárias que forçaram o BC a endurecer a política monetária.
A consequência foi desaceleração do PIB, que não cresceu mais de 2,3% em 2025. Esperava-se taxa ainda menor neste ano, mas os esforços de Lula em busca de popularidade e votos podem alterar esse quadro. Desde janeiro, as projeções mais consensuais já subiram de 1,8% para 1,9%, e é possível que a revisão prossiga por mais algum tempo.
O governo petista, afinal, lançou nas últimas semanas um novo programa de renegociação de dívidas das famílias, acabou com a “taxa das blusinhas” sobre importações de pequeno valor e criou linhas de crédito para taxistas e motoristas de aplicativos, entre outras benesses. Ademais, há ajuda conjuntural da boa safra para a agropecuária e da alta do petróleo para a indústria extrativa.
Os limites, porém, estão dados. As projeções para a inflação do ano igualmente estão em ascensão, movidas também pelo impacto da guerra no Oriente Médio, e já superam 5%, ante um teto oficial de 4,5%. Reduz-se, com isso, a margem para a redução dos juros que permitiria um crescimento mais duradouro do PIB.
Isso para nem falar das exauridas contas públicas, cuja deterioração eleva os riscos de crise financeira nos próximos anos.

