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Estímulos do governo não produzirão alta sólida do PIB – 01/06/2026 – Opinião

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Depois de nove meses de quase estagnação, a economia brasileira voltou a mostrar vigor aparente no primeiro trimestre deste ano. Como divulgou o IBGE, o Produto Interno Bruto cresceu 1,1% na comparação com os três meses anteriores —uma taxa que seria excelente, se fosse duradoura.

Não é o que se espera, no entanto, embora a série de estímulos eleitoreiros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa dar mais algum impulso de curto prazo ao consumo e à atividade.

O avanço do PIB de janeiro a março refletiu expansão similar, de 1%, do consumo das famílias, até então travado pelos juros de 15% ao ano impostos pelo Banco Central para conter a inflação. A Selic só começou a cair em março e está, hoje, em ainda sufocantes 14,5%, e o maior impulso às compras parece ter sido a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda das pessoas físicas.

O investimento, gasto destinado a elevar a capacidade produtiva de empresas e governos, teve alta de 3,5%, mas a cifra é enganosa após uma queda de magnitude comparável (3,4%) no trimestre anterior. Considerando um período mais longo, de 12 meses, o aumento é de apenas 0,4%, ante 1,2% verificado no consumo.

Veem-se os estertores de um modelo de crescimento econômico impulsionado pelo gasto público, sobretudo transferências diretas de dinheiro às famílias por meio de benefícios previdenciários e assistenciais.

Desse modo se obtiveram taxas de expansão anual na casa dos 3% entre 2022 e 2024, acima das expectativas iniciais de mercado. O preço de turbinar a demanda acima das possibilidades da oferta, no entanto, não tardou a chegar —na forma de pressões inflacionárias que forçaram o BC a endurecer a política monetária.

A consequência foi desaceleração do PIB, que não cresceu mais de 2,3% em 2025. Esperava-se taxa ainda menor neste ano, mas os esforços de Lula em busca de popularidade e votos podem alterar esse quadro. Desde janeiro, as projeções mais consensuais já subiram de 1,8% para 1,9%, e é possível que a revisão prossiga por mais algum tempo.

O governo petista, afinal, lançou nas últimas semanas um novo programa de renegociação de dívidas das famílias, acabou com a “taxa das blusinhas” sobre importações de pequeno valor e criou linhas de crédito para taxistas e motoristas de aplicativos, entre outras benesses. Ademais, há ajuda conjuntural da boa safra para a agropecuária e da alta do petróleo para a indústria extrativa.

Os limites, porém, estão dados. As projeções para a inflação do ano igualmente estão em ascensão, movidas também pelo impacto da guerra no Oriente Médio, e já superam 5%, ante um teto oficial de 4,5%. Reduz-se, com isso, a margem para a redução dos juros que permitiria um crescimento mais duradouro do PIB.

Isso para nem falar das exauridas contas públicas, cuja deterioração eleva os riscos de crise financeira nos próximos anos.

editoriais@grupofolha.com.br

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