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Entrada de capital estrangeiro no 1º semestre é a maior em 8 anos no Brasil

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O Brasil registrou uma entrada líquida de US$ 17,782 bilhões em investimentos estrangeiros no primeiro semestre de 2026, após fechar junho com saldo positivo de US$ 3,908 bilhões, de acordo com dados do Banco Central (BC).

Esse fluxo, o maior em oito anos, foi o principal responsável pelo fortalecimento do real. Bernardo Pascowitch, apresentador do Resenha do Dinheiro, pondera que o resultado exige uma análise mais cuidadosa. 

Segundo ele, o principal fator por trás desse movimento é o elevado patamar dos juros brasileiros, que atrai investidores em busca de retornos maiores e contribui para sustentar o real frente ao dólar.

“É um fluxo importante para a economia, mas se os juros não estivessem tão altos — o que seria melhor para a economia brasileira — provavelmente não haveria tanto investimento estrangeiro. Esse movimento também ajuda a segurar a cotação do dólar. Se não fosse essa entrada de recursos, alguns especialistas acreditam que a moeda já estaria perto de R$ 6”, observa Pascowitch.

Além da taxa de juros, outros fatores também ajudam a explicar por que o Brasil se tornou um destino atrativo para investidores neste ano. Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que o país reúne características que ganharam relevância no atual cenário.

“Foi um conjunto de fatores: os juros em um patamar elevado, o fato de sermos um país exportador de commodities e a nossa posição geopolítica. Somos parceiros comerciais da China e, em meio à guerra comercial, o Brasil ocupa uma posição mais neutra. Tudo isso faz com que o país seja um destino atrativo para investimentos”, diz.

A economista ressalta, no entanto, que esse cenário pode mudar. A expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos, somada à continuidade do ciclo de cortes da Selic no Brasil, pode reduzir a atratividade do país para o capital estrangeiro.

“O que mais me preocupa é a possibilidade de os EUA voltarem a subir os juros. Enquanto o Brasil deve seguir reduzindo as taxas, esse diferencial tende a diminuir. Mesmo que os juros americanos continuem menores do que os brasileiros, isso reduz a atratividade do Brasil para os investidores”, avalia.

Bernardo lembra que a atenção do mercado também está voltada para outras economias desenvolvidas, que podem influenciar o fluxo global de investimentos, como Japão e União Europeia que discutem mudanças na política monetária. 

Mesmo com a perspectiva de juros mais altos em alguns países, Fontes afirma que não há motivo para pânico entre os investidores.

“O investidor pode ficar receoso com juros mais altos, mas estamos falando de um patamar ainda bastante razoável. Nos Estados Unidos, por exemplo, os juros devem ficar entre 4% e 4,5%, um nível que contribui para manter a inflação sob controle e continuar sendo considerado comportado”, 

Para Thiago Godoy, educador financeiro, o atual cenário reforça a importância da diversificação dos investimentos. 

“Acho que é sempre um bom momento para investir em dólar. A moeda tem ‘andado de lado’, o que abre espaço para ampliar a exposição a ativos dolarizados e diversificar a carteira”, acrescenta. 

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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