A cantora e ex-BBB Juliette revelou que foi diagnosticada com endometriose após realizar uma série de exames durante um check-up médico. Segundo a artista, a doença foi identificada em estágio inicial e ela apresenta poucos sintomas, principalmente inchaço e dores leves.
O relato chama atenção para uma condição que afeta milhões de mulheres, mas que ainda costuma ser descoberta tardiamente devido à dificuldade de reconhecimento dos sintomas.
“Quando passei mal por conta do fígado, um, dois meses atrás, fui fazer um check-up e, em um dos exames, deu endometriose. Pedi uma segunda opinião, falei com minha ginecologista e com uma médica especialista para fazer análise do laudo e realmente tem”, afirmou Juliette nas redes sociais.
A cantora também explicou que, de acordo com as médicas que a acompanham, a doença está no início.
“Segundo as médicas, está no início, pouquinho e não é em um lugar que tenha alguma grande questão. Eu não tenho tantos sintomas, não sinto tanta dor. O que eu sinto é inchaço e um pouco de dor”, disse.
O que é a endometriose
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste internamente o útero — fora da cavidade uterina. Essas lesões podem atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve, desencadeando inflamação e dor.
Segundo a ginecologista Ana Paula Fabricio, além das cólicas menstruais intensas, a doença pode causar dor pélvica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias e dificuldade para engravidar.
Quando o tecido cresce fora do útero, ele continua respondendo às variações hormonais do ciclo menstrual, favorecendo processos inflamatórios e formação de aderências que podem comprometer o funcionamento dos órgãos afetados.
Diagnóstico costuma demorar anos
Um dos principais desafios da endometriose é o diagnóstico tardio. Embora a doença frequentemente comece ainda na adolescência, muitas mulheres convivem durante anos com os sintomas antes de receberem o diagnóstico correto. De acordo com o especialista em reprodução humana Rodrigo Rosa, isso acontece porque a dor intensa costuma ser confundida com cólicas menstruais consideradas “normais”.
“Muitas pacientes só descobrem a doença quando encontram dificuldade para engravidar”, explica o médico.
Esse atraso pode contribuir para a progressão da doença e aumentar o risco de complicações, incluindo impactos na fertilidade.
Quais são os principais sintomas
Os sintomas variam de uma mulher para outra. Algumas apresentam dores intensas, enquanto outras, como Juliette, podem ter manifestações mais discretas.
Os principais sinais de alerta incluem:
- cólicas menstruais intensas ou incapacitantes;
- dor pélvica persistente;
- dor durante as relações sexuais;
- dor ao evacuar ou urinar, principalmente durante a menstruação;
- alterações intestinais ou urinárias relacionadas ao ciclo menstrual;
- dificuldade para engravidar;
- inchaço abdominal e desconforto pélvico.
Especialistas destacam que nem sempre a intensidade da dor está relacionada à gravidade da doença.
Acompanhamento ginecológico é fundamental
Segundo o ginecologista Nélio Veiga Junior, a causa exata da endometriose ainda não é completamente conhecida, mas acredita-se que fatores genéticos e imunológicos estejam envolvidos no desenvolvimento da doença.
Por isso, não há uma forma comprovada de prevenção. O acompanhamento ginecológico periódico é considerado a principal estratégia para identificar precocemente alterações compatíveis com a doença, especialmente em mulheres que apresentam sintomas persistentes.
Tratamento depende de cada caso
O tratamento é individualizado e leva em consideração fatores como idade, intensidade dos sintomas, extensão da doença e desejo de engravidar. Segundo Ana Paula Fabricio, a abordagem pode incluir mudanças no estilo de vida, controle hormonal e uso de analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar os sintomas.
Nos casos mais graves, a cirurgia por videolaparoscopia pode ser indicada para remover as lesões de endometriose.
Entretanto, Rodrigo Rosa ressalta que a decisão deve ser cuidadosamente avaliada, principalmente em mulheres que desejam ter filhos, já que alguns procedimentos, como a retirada de endometriomas nos ovários, podem reduzir a reserva ovariana. Nessas situações, o especialista explica que o congelamento de óvulos pode ser discutido antes da cirurgia como uma forma de preservar a fertilidade futura.
Os médicos também reforçam que, embora a gravidez possa reduzir temporariamente os sintomas devido às alterações hormonais da gestação, ela não cura a endometriose. Como se trata de uma doença crônica, o objetivo do tratamento é controlar a inflamação, aliviar a dor e preservar a qualidade de vida da paciente.

