
A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira, 23, uma resolução que determina a retirada das forças americanas da guerra contra o Irã. A medida, no entanto, tem caráter simbólico e não obriga o presidente Donald Trump a interromper a campanha militar.
O texto foi aprovado por 214 votos a 208. Quatro republicanos — Tom Barrett, Brian Fitzpatrick, Warren Davidson e Thomas Massie — romperam com o governo e se uniram aos democratas para apoiar a proposta, apresentada pela deputada democrata Pramila Jayapal.
A iniciativa representa mais uma tentativa da oposição democrata de restringir os poderes do presidente na condução da guerra. Os parlamentares argumentam que a Constituição americana atribui exclusivamente ao Congresso a autorização para declarar guerra e denunciam uma evasão do poder Legislativo.
Pela legislação dos Estados Unidos, o presidente pode ordenar ações militares para responder a ameaças imediatas, mas precisa obter autorização do Congresso em um prazo de 60 dias para manter as operações. Em maio, porém, Trump sustentou que esse prazo não se aplicava porque o conflito teria sido encerrado por um dos cessar-fogos anunciados, embora os combates tenham sido retomados.
No fim de junho, ambas as câmaras do Congresso já haviam aprovado outra resolução com o mesmo objetivo, sem impacto prático sobre a guerra. Na ocasião, Trump classificou a iniciativa como “antipatriótica”.
A votação ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Nos últimos dias, quatro militares americanos morreram em ataques atribuídos ao Irã, elevando para 18 o total de baixas dos Estados Unidos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Nesta quinta-feira, Trump anunciou a intensificação das operações militares e prometeu uma “grande punição militar” ao Irã e aos rebeldes hutis, após um ataque a dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Na sequência, os Estados Unidos realizaram novos bombardeios contra alvos iranianos.

