A partir de sábado, o velório será aberto ao público, seguido por dias de homenagens. Na segunda-feira, um cortejo fúnebre percorrerá as ruas de Teerã, antes de o corpo seguir para Qom, centro religioso da República Islâmica.
Na quarta-feira, as cerimônias serão realizadas no Iraque, com homenagens em Najaf e Karbala, duas das cidades mais sagradas para os muçulmanos xiitas. O sepultamento está previsto para quinta-feira no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, considerado um dos locais mais importantes do islamismo xiita.

Com expectativa de cerca de 20 milhões de pessoas apenas em Teerã, o governo montou uma das maiores operações logísticas já realizadas na capital. Escolas, prédios públicos e instalações militares foram adaptados para receber visitantes, enquanto áreas abertas foram convertidas em estacionamentos para carros e ônibus.
A realização do funeral meses após a morte do aiatolá contraria a tradição islâmica, que recomenda o sepultamento em até 24 horas. O adiamento foi atribuído às condições de segurança no país durante o conflito, quando as autoridades avaliaram que um funeral público colocaria em risco autoridades políticas e militares, consideradas alvos dos Estados Unidos e de Israel.
Na quinta-feira, autoridades do Irã alertaram os Estados Unidos e Israel contra qualquer ataque ao país durante o funeral de Estado.
“Advertimos os inimigos do Irã, especialmente os EUA e o regime sionista, para que evitem qualquer erro de cálculo e reflitam sobre a dura retaliação que nossas forças armadas aplicariam a qualquer ameaça e agressão contra nosso país”, afirmou Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela mídia estatal.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, fez advertência semelhante, prometendo uma resposta imediata a qualquer ameaça contra o país.
O funeral se dá em meio às negociações entre Irã e Estados Unidos, que encerraram uma nova rodada de conversas indiretas na quarta-feira, em Doha, sem sinais de progresso. De acordo com autoridades a par das discussões que conversaram com a agência de notícias Reuters, as delegações americana e iraniana, com intermédio do Catar, se concentraram em questões que já haviam sido resolvidas pelo acordo provisório anunciado há duas semanas.
Durante os dois dias de diplomacia em Doha, durante os quais os negociadores de ambas partes realizaram encontros separados com mediadores cataris e paquistaneses, o principal tema à mesa foi o fluxo de navios que passam pelo Estreito de Ormuz — que deveria ter sido totalmente reaberto mediante o memorando de entendimento — e o descongelamento de fundos iranianos retidos em bancos no exterior — também já acertado, embora sem cronograma claro.

