O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que medidas do governo federal sejam as principais responsáveis pela alta dos juros e disse que o Executivo irá implementar medidas de ajuste fiscal.
“Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros”, afirmou.
“Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar. O debate fiscal, ele importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil”, complementou, em entrevista ao g1.
O ministro ainda afirmou que a Selic elevada é um entrave ao desenvolvimento da economia e “machuca” a dívida pública do país.
“De fato, a taxa de juros, ela prejudica o investimento privado e ela prejudica a dívida pública. Hoje, o que machuca a dívida pública é a taxa de juros”, disse Durigan.
O nível coloca o país no topo da lista das economias com maior juro real do mundo – cálculo que considera a taxa descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses, segundo levantamente da Lev Intelligence e da MoneYou.
“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, informou na ata que justificou a decisão dos juros no mês passado.
Nos últimos meses o governo federal anunciou programas para financiamento de veículos, reforma de imóveis e novas versões do Desenrola.
Durigan minimizou o impacto das medidas na decisão dos juros pelo Banco Central.
“O mercado de crédito brasileiro é de R$ 600 bilhões por mês. Você está falando de R$ 2 bilhões, R$ 3 bilhões para moto, R$ 30 bilhões para carros. Isso não tem impacto do ponto de vista de atrapalhar a política monetária”.
“Não me parece que as políticas que a gente tem feito têm impacto macroeconômico. São ajudas setoriais pontuais e específicas”, disse.
Ajuste fiscal
O ministro da Fazenda também afirmou que o governo irá implementar medidas de ajuste fiscal.
“Eu acho que o Brasil tem que seguir fazendo um esforço fiscal grande, não é pequeno, para limitar o crescimento de dívida no que compete ao Ministério da Fazenda”, afirmou.
“Tudo o que o Ministério da Fazenda puder fazer para melhorar a fiscal e harmonizar a política monetária, nós faremos. A preocupação da inflação é minha também”.
Ele defendeu ainda ações para conter os gastos obrigatórios para dar mais espaço para despesas discricionárias – como investimentos -, mas pontuou que a medida será feita dentro do arcabouço fiscal.
“Reconheço, o espaço discricionário tende a diminuir se a gente não reverter o crescimento de gasto obrigatório. E isso vai precisar ser feito, mas sem descartar o arcabouço fiscal. É o arcabouço fiscal que vai nos permitir acomodar a trajetória de receita e despesa no país. Então, o arcabouço fiscal é sustentável e é necessário que seja mantido”.

