Não é condomínio, não é república, não é asilo. Em 2022, um grupo de senhoras batia rotineiramente às portas das autoridades de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, numa “peleja” pelo aval para um projeto incomum. Sete anos depois da primeira chamada de integrantes, dez cotistas se mudam em outubro para o Vila Puri, um cohousing: misto de residências privadas e espaços compartilhados com foco na colaboração entre os moradores.
Criados na Dinamarca nos anos 1970 e populares também no resto da Europa e nos Estados Unidos, os cohousings surgiram com formato multigeracional. Cada vez mais, porém, suprem uma lacuna habitacional para idosos. No Brasil, ainda incipiente, o movimento ganha tração pela mudança nas estruturas familiares, pela busca de novas formas de morar e pela transição demográfica — os idosos já são 16% dos brasileiros, segundo o IBGE, e a proporção só tende a aumentar.
Nas últimas décadas, mudou também o perfil do idoso médio, mais longevo e que busca preservar a autonomia e a qualidade de vida. Hoje, o cohousing atrai no país mais as mulheres, os aposentados, trabalhadores em regime remoto e profissionais liberais, por fatores como renda, projeto de vida e distância de centros urbanos.

