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Corridas de rua se tornam aliadas da saúde física e mental dos praticantes

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Redação Tribuna do Norte




17h00

Para Will Martins, de 40 anos, esporte traz interação social e funciona como “remédio natural” contra ansiedade e depressão | Foto: Alex Régis

Bruna Torres
Vicente Estevam

Repórteres

Mais que correr, as provas de rua têm levado atletas a transformaram a modalidade em um verdadeiro fenômeno de saúde, qualidade de vida e socialização no Brasil. Dando sequência à série de matérias que antecedem a segunda edição da Jovem Pan News Natal Run, que acontece no dia 21 de junho, esta matéria mostra como as corridas têm se destacado como ferramenta democrática para o equilíbrio entre corpo e mente.

Especialistas são unânimes ao apontar que os benefícios da prática regular vão muito além do condicionamento físico, atuando diretamente na prevenção de doenças crônicas e no fortalecimento da saúde emocional. Para entender os impactos fisiológicos da atividade, os cuidados necessários antes de começar e como a corrida pode transformar hábitos diários, conversamos com o cardiologista esportivo Nelson Madeira, o professor de Educação Física Rogério Paulo e os corredores Thais Barreto, Will Martins, Jorge Vinícius, Alzilene Ferreira e Cláudio Henrique, que compartilham histórias de superação e mudança de rotina.

Segundo o cardiologista esportivo Nelson Madeira, a atividade física é uma grande aliada no controle do peso, pois, associada a uma alimentação adequada, ajuda a manter o déficit calórico. “O condicionamento físico é um dos maiores ganhos que uma pessoa pode ter com as atividades físicas, visando uma maior longevidade cardiovascular, pois quem tem um maior VO2 máximo (capacidade de consumo de oxigênio do nosso corpo) comprovadamente tem melhor prognóstico cardiológico, além de prevenir doenças como hipertensão, obesidade e diabetes tipo 2”, destaca.

De acordo com o especialista, as corridas de rua também promovem benefícios à saúde mental devido à liberação dos chamados hormônios do bem-estar, como endorfina, serotonina e dopamina. Nelson Madeira ressalta que o principal cuidado antes de iniciar atividades mais intensas é realizar uma avaliação cardiológica adequada, conhecida como avaliação pré-participação esportiva. “A importância de um acompanhamento multiprofissional – cardiologista, fisioterapeuta, educador físico e nutricionista – tanto para iniciantes quanto para atletas de elite é que, dessa forma, os riscos de eventos cardiológicos e osteomusculares são minimizados”, afirma.

Segundo ele, a recomendação mínima é de 150 minutos semanais de atividade física moderada. “Os perfis que mais buscam avaliação com cardiologista do esporte são atletas amadores em busca de performance e pacientes que já sofreram algum evento cardiológico, como infarto ou AVC, e querem se exercitar com segurança”, conclui.

Thais Barreto, 34 anos, reduziu saídas, abandonou bebidas alcóolicas e mudou alimentação | Foto: Alex Régis

Preparo físico

De acordo com o professor de Educação Física Rogério Paulo, de 41 anos, a forma mais segura de iniciar na corrida é realizar exames para avaliar a saúde cardiovascular. “Um dos erros mais comuns entre os iniciantes é querer alcançar longas distâncias em pouco tempo de treinamento”, alerta.

Para evitar lesões, o educador físico recomenda acompanhamento profissional. “Um professor de Educação Física ou assessor de corrida vai controlar as cargas de treinamento, os volumes e definir os dias adequados para cada atividade. Isso ajuda a evitar lesões”, diz. “Diante da rotina intensa de trabalho e compromissos, muitas pessoas procuram a corrida para desestressar e ter um momento de lazer”, aponta.

Segundo Rogério Paulo, a modalidade se tornou um fenômeno por ser acessível e praticada ao ar livre. “Na corrida de rua não existe idade, cor ou sexo. Jovens, adultos e idosos podem participar. O esporte melhora a qualidade de vida, a saúde e a capacidade de realizar as atividades diárias com mais segurança e eficiência”, destaca.

Da superação às pistas

Para quem vive a realidade do asfalto, a corrida funciona como um divisor de águas. A professora de inglês, artista e tatuadora Thais Barreto, de 34 anos, começou a correr de forma mais séria há quase dois anos. Embora já praticasse musculação e crossfit, decidiu focar na modalidade após se inscrever para sua primeira prova, a Meia do Sol. “Foram cerca de quatro meses de treino e, depois dessa experiência, passei a manter sempre uma nova corrida como objetivo”, conta.

Segundo ela, a evolução nas pistas exigiu mudanças significativas. “Reduzi bastante as saídas, deixei de consumir álcool e comecei a ter uma alimentação mais equilibrada. Percebi uma melhora nítida na disposição e energia no dia a dia.”

Thais destaca que o impacto do esporte vai além do aspecto físico. “A corrida exige mudanças. Você cuida melhor do sono, da alimentação e da saúde mental, além de reduzir excessos. Também amplia o ciclo social ao aproximar pessoas com o mesmo estilo de vida. O que mais me atrai é a possibilidade constante de superação e a conexão comigo mesma, um momento em que consigo aliviar a mente e esquecer os problemas.”

Para o empresário Will Martins, de 40 anos, a corrida é companheira de longa data. São 16 anos de experiência que se transformaram em profissão e estilo de vida. “Hoje eu trabalho com a corrida, vivo e respiro isso.”

Will destaca benefícios como fortalecimento cardiovascular e ganho de disciplina. “O condicionamento físico melhora muito por conta da excelente base aeróbica, o que garante mais qualidade de vida. Ser corredor é treinar mesmo nos dias em que você não quer, fazer o que precisa ser feito.”

Para ele, a modalidade funciona como um “remédio natural” contra ansiedade e depressão. Mas o que mais chama atenção é a integração social. “Falar de corrida é falar de pessoas. Desde a minha primeira prova, vivi algo difícil de encontrar em outro lugar: a união. Pessoas que nem se conhecem se ajudando. O que mais me atrai é poder transformar vidas através do esporte. Como treinador, canso de ouvir: ‘Professor, você acredita mais em mim do que eu mesmo’. Muitas vezes, as pessoas não sabem o poder que têm, e a corrida faz com que descubram sua capacidade.”

“Mania saudável” que transforma vidas e rotinas

A prática da corrida transformou a rotina de funcionários da Miranda Computação e passou a representar uma verdadeira mania saudável dentro da empresa. Incentivados pelo empresário Afrânio Miranda, colaboradores que antes levavam uma vida sedentária hoje acumulam quilômetros e participações em provas. Entre eles estão Jorge Vinícius, Alzilene Ferreira e Cláudio Henrique, que participarão da JP News Run.

A mais experiente do grupo, Alzilene Ferreira, de 51 anos, conta que a ligação com a corrida começou praticamente junto com sua trajetória profissional na empresa. “Logo na entrevista ele perguntou se eu gostava de correr. Até então eu não conhecia nem a corrida de rua”, relembra. Desde então, a prática virou paixão. “Hoje vou fazer 52 anos e não tomo nenhum remédio. A qualidade de vida é outra.”

O gerente Jorge Vinícius, de 42 anos, afirma que a mudança aconteceu após perceber que o sedentarismo estava comprometendo sua saúde. “Eu estava com sobrepeso, com todas as taxas muito elevadas.” Após uma conversa com Afrânio Miranda, decidiu procurar ajuda médica e iniciar uma rotina de exercícios. “De setembro para agora já perdi 23 quilos. Colesterol regularizado, sem uso de medicamento. O sono está muito mais regular. A qualidade de vida é muito maior.”

Jorge lembra que vivia em constante fadiga. “Eu sentia um cansaço extremo e sempre deixava para depois. Hoje minha vida é outra. Três dias por semana acordo às quatro da manhã, corro seis quilômetros, vou à missa e cumpro o expediente com muito mais disposição.”

A experiência de Cláudio Henrique, de 44 anos, segue caminho semelhante. Funcionário da empresa há 15 anos, ele começou a correr há cerca de um ano e meio após descobrir alterações preocupantes nos exames clínicos. “O triglicerídeo deu 2.250. Também estava com problema nos rins e no fígado”, relata.

A partir das caminhadas, surgiu o interesse pelas provas de rua. “Hoje pratico exercício pelo menos três vezes por semana. A qualidade de vida realmente é outra. O sono melhora, o dia fica mais produtivo. A corrida transforma não só o físico, mas também o psicológico.”

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