Apenas 72 horas foram suficientes para movimentar fortemente os indicadores das redes sociais dos principais clubes da Espanha e da própria seleção nacional, e ainda ampliar o potencial de ganhos financeiros dos elos da cadeia do futebol no país, em diferentes dimensões.
Um levantamento feito pelo núcleo ModoData, da Imagem Corporativa, mediu o impacto da final da Copa do Mundo de 2026 sobre as plataformas digitais dos três principais clubes espanhóis — Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid — e da seleção espanhola.
Foram comparados os números de seguidores de cada agremiação entre a última sexta-feira, 17 de julho, antevéspera da final do torneio, e a segunda-feira, dia 20 de julho, dia posterior ao da conquista do título.
A pesquisa mostrou que o Real Madrid continua sendo o clube espanhol de maior peso no ambiente digital, com 458,04 milhões de inscritos em seus canais.
Ele ganhou 770.165 novos adeptos naquelas 72 horas, mas foi o Barcelona que registrou maior avanço no mesmo período: adicionou 1.996.544 novos seguidores, chegando a um total de 416,20 milhões nas plataformas monitoradas (Instagram, TikTok, X/Twitter, Facebook, YouTube e Twitch).
O salto do clube catalão é ainda mais significativo se comparado ao do Atlético de Madrid, que amealhou 189.993 novos nomes e chegou aos 88,4 milhões de seguidores.
A razão para o desempenho do Barcelona está dentro de campo: ele é o clube com mais atletas convocados para a seleção espanhola (oito) e boa parte da vitrine do Mundial passou por jogadores formados ou em atividade em suas fileiras.
O jovem Lamine Yamal, 19 anos, é um bom exemplo. Ele é hoje apontado como o atacante mais valioso do mundo e foi uma das grandes sensações do torneio.
Ferran Torres, autor do gol dos espanhóis na final contra Argentina, é outro talento que pertence ao Barcelona.
O poderoso Real Madrid não teve nenhum jogador de seu elenco no escrete de La Roja. Mas cedeu vários de seus talentos às seleções de seus países de origem (como Vinicius Jr. para o Brasil, Kylian Mbappé para a França e Thibaut Courtois para a Bélgica, para ficar em apenas três nomes muito conhecidos).
Ajuda a entender a lógica dos números mencionados o contingente de simpatizantes de cada um daqueles três principais clubes da Espanha.
Estudos revelam que o Real Madrid tem a preferência de 37,9% dos torcedores do país, seguido pelo Barcelona com 25,4% e, bem mais atrás, pelo Atlético Madrid, com 6,1%.
Em números absolutos, La Roja somou 1.011.576 novos seguidores entre a antevéspera da final da Copa do Mundo e o dia seguinte à final do torneio. Com isso, saltou de 16,79 milhões para 17,8 milhões de inscritos em seus canais.
Alguns aspectos relevantes da análise:
- Instagram é a rede com maior volume de seguidores para os quatro perfis mapeados, sendo também onde os ganhos numéricos mais se destacam;
- No caso do Barcelona, crescimento especialmente relevante ocorreu no YouTube, onde registrou avanço de 26,4 milhões para 26,5 milhões de seguidores e se manteve à frente do Real Madrid nessa rede social;
- No site institucional da seleção espanhola não constam as redes TikTok e Twitch segundo o levantamento. O crescimento ocorre no Instagram, X/Twitter, Facebook e YouTube.
Mas o ecossistema do futebol do país ibérico não ganhou pontos apenas em termos de contingente de participantes nas redes sociais. Com o Mundial de 2026, ganhou também dinheiro.
A vitória sobre a Argentina rendeu à federação nacional US$ 50 milhões, mais a taxa de participação de US$ 10 milhões a que todas as 48 equipes da competição tiveram direito.
Além disso, como a FIFA remunera cada clube que cede jogadores para a Copa do Mundo, a conta superou os US$ 20 milhões no caso do país campeão.
Apenas os clubes ingleses da Premier League e os alemães da Bundesliga ganharam mais do que isso pela cessão de seus atletas.
Em dólares, o Barcelona levou US$ 2,45 milhões; o Real Madrid outros US$ 2,14 milhões; enquanto o Atlético de Madrid ficou com US$ 1,99 milhão.
Especialistas estimam que jogadores espanhóis campeões passam a valer, dependendo do caso, entre 20% e 50% mais no mercado internacional da bola, no caso de uma transferência.
Mais: os clubes poderão se beneficiar a partir de agora de patrocínios mais altos e valorização de suas marcas em diferentes dimensões.
Essas variáveis positivas elevarão o valor total das principais agremiações. Segundo a Forbes, considerados todos os pilares do negócio do futebol (estádio; qualificação de elenco; direitos de transmissão dos jogos e outros ativos relacionados) os dois nomes mais valiosos do mundo são justamente o Real Madrid (US$ 9,5 bilhões) e o Barcelona (US$ 7,5 bilhões). Terceira força do futebol do país, o Atlético de Madrid é marca estimada em US$ 2,9 milhões e classificada como a 11ª em nível mundial.

