IníciosaúdeConfundida com menopausa, fadiga grave em mulheres pode ser doença rara

Confundida com menopausa, fadiga grave em mulheres pode ser doença rara

Publicado em

spot_img

A exaustão extrema em mulheres é frequentemente relativizada e atribuída ao estresse ou à menopausa. Quando esse esgotamento se torna persistente, pode ser um sinal da CBP (colangite biliar primária), uma doença autoimune e crônica que ataca os pequenos canais que conduzem a bile dentro do fígado e pode evoluir para cirrose.

A enfermidade prevalece em mulheres de 55 a 75 anos, mas também pode surgir na faixa dos 35 aos 55 anos. Segundo a doutora Liliana Mendes, hepatologista do Hospital de Base de Brasília, o impacto nessa fase é ainda mais avassalador, pois coincide com o auge da atividade profissional, cuidados com filhos e a gestão de múltiplos projetos pessoais.

O grande desafio da CBP está em sua natureza silenciosa e na falta de especificidade dos sintomas iniciais, frequentemente confundidos com ansiedade ou depressão. “Muitas mulheres passam longos períodos assintomáticas, descobrindo a patologia de forma incidental por meio de alterações em exames laboratoriais de rotina, como a elevação da enzima fosfatase alcalina”, esclarece a especialista.

O sintoma mais comum e limitante da doença é a fadiga, que afeta até 80% das pessoas. Diferente do cansaço comum, ela não tem ligação com o esforço físico e não é resolvida com repouso, persistindo mesmo após uma boa noite de sono. Quem tem a doença, descreve a sensação como “andar em uma névoa constante, uma exaustão invisível que gera incompreensão social. 

Como explica Liliana, esse peso afeta o bem-estar de forma tridimensional: fisicamente, uma vez que reduz a força para tarefas simples; mentalmente, porque prejudica a cognição com lapsos de memória e concentração; e emocionalmente, pois gera frustração, ansiedade e isolamento – impactando diretamente o trabalho e os relacionamentos.

Além da exaustão, as manifestações clínicas da CBP costumam incluir o prurido – coceira intensa que ocorre sem lesões visíveis na pele, piora à noite e compromete a qualidade do sono -, secura nos olhos e na boca, dores abdominais e articulares, e a associação com outras condições autoimunes, como problemas na tireoide ou artrite.

A especialista ressalta que, embora possa estar associada a outras doenças, a CBP exige um cuidado adequado específico (que permite maior controle da doença) e não deve ser vista apenas como consequência de outros problemas. “Atualmente, o Brasil já conta com uma terapia específica, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), capaz de retardar a progressão da doença, melhorar o prurido e a fadiga e garantir mais qualidade de vida”, reforça a médica.

O diagnóstico precoce é fundamental para mudar o desfecho clínico. “A maioria das mulheres alcança um excelente prognóstico e evita a progressão das lesões hepáticas se a intervenção ocorrer cedo. Sintomas persistentes não devem ser normalizados. Enfrentar fadiga crônica ou coceira inexplicável por vários meses é um indicativo mandatório para investigar a saúde do fígado e assegurar a preservação da autonomia e da qualidade de vida”, finaliza a hepatologista.

*Sob supervisão de AR.

Veja a matéria completa aqui!

Últimas Notícias

Paulo Ricardo lançará nova turnê no Teatro Bradesco

Por Patricia AlvesExiste um instante...

Jude Bellingham discorda de prêmio de melhor em campo contra Gana

Jude Bellingham foi eleito o melhor em campo no empate entre Inglaterra e Gana,...

Novo app transforma ROMs em cartuchos e discos retrô em 3D

Novo app transforma ROMs em cartuchos e discos retrô em 3D - CanaltechCanaltech -...

Veja Também

Paulo Ricardo lançará nova turnê no Teatro Bradesco

Por Patricia AlvesExiste um instante...

Jude Bellingham discorda de prêmio de melhor em campo contra Gana

Jude Bellingham foi eleito o melhor em campo no empate entre Inglaterra e Gana,...