Câmara e Senado terão muito trabalho no ano que vem com comissões parlamentares de inquérito, porque a Polícia Federal não vai dar conta de tudo o que ainda deve aparecer. Mas para isso você terá de votar direito, escolhendo dois senadores fortes e um deputado que queira apurar todas as imoralidades nos três poderes.
Um ministro do Supremo que é presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques, está citado em um caso que envolve o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. A mulher de Ramos, advogada, pegou causas de R$ 8,5 bilhões que interessavam ao Master, rendendo R$ 427 milhões em honorários para a mulher e o filho desse desembargador. Na Segunda Turma do STF, um dos julgamentos terminou em 3 a 2: foram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça; votaram a favor Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin.
WhatsApp: entre no grupo e receba as colunas do Alexandre Garcia
Tudo isso enseja investigação policial ou política. Toffoli suspendeu multa de empresas na Lava Jato depois de um aporte no Tayayá, um caso que Fachin arquivou administrativamente, mas está no ar juridicamente, esperando que alguém faça alguma coisa. E não vamos nos esquecer das ligações da família Moraes com Daniel Vorcaro e com outros.
Agora apareceu um advogado de Vorcaro, Walfrido Warde. Não é um qualquer: foi advogado da J&F, do Bradesco, de um dos delatores da Lava Jato. Não foi pouco, tem um currículo grande. E aí aparece: Lula ficou se gabando, desafiando: “Mostrem os celulares!” Pois está tudo mostrado lá, as ligações de Warde com Vorcaro para ajudar Alexandre de Moraes a se livrar da Lei Magnitsky. Ele dizia que não queria nada, que era só para ajudar. Também está nos celulares: Vorcaro mandou uísque para Lula, Warde disse que Lula agradeceu o presente, vemos as ligações com ministros, toda essa distribuição de dinheiro.
E estão surgindo mais coisas da Roberta Luchsinger. Ela fez depósitos para o secretário-executivo adjunto e o chefe de cerimonial do Ministério do Desenvolvimento Social, comandado por Wellington Dias. O Estadão tem até foto dela entregando ao ministro um livro autografado de Paulo Coelho. Ela orienta o operador a dividir o valor para o banco não desconfiar. Um dos beneficiados, o chefe de cerimonial, se chama José Martinho. Ele é primo de terceiro grau do ministro; quando Dias era senador, Martinho trabalhava em seu gabinete e chegou a ser preso pela Polícia Rodoviária Federal em 2014, na Bahia, levando R$ 180 mil em dinheiro vivo de Brasília para o Piauí. Depois, quando Dias virou governador, Martinho foi comissionado na Secretaria de Governo do Piauí. Agora é chefe de cerimonial.
Como tem coisa para investigar! E é preciso, depois do que Fachin fez com a Lava Jato. Ela era nossa grande esperança de recuperar a vergonha na cara, de ter um país em que o corrupto não ficasse impune. Mas o corrupto ficou impune, e até suspenderam as multas das grandes empresas. As condenações proferidas por Sergio Moro tinham sido confirmadas pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região e pelo no Superior Tribunal de Justiça. Mas Fachin inventou aquela história de que não valia nada. Um horror, uma decepção! Isso foi um sinal verde: “Opa, agora pode tudo”. É o que está acontecendo. Ainda bem que pelo menos ficamos sabendo, porque está tudo no celular de Vorcaro – isso sem falar nos tais bacanais; ainda não apareceu nada, não sei se é para não ofender famílias, mas dizem que há fotos e diálogos incríveis.

