A inteligência artificial avança em ritmo acelerado e promete elevar a produtividade, acelerar a inovação e transformar a economia.
Mas essa revolução digital depende de uma base concreta: investimento em chips avançados, data centers, energia confiável e abundante e profissionais altamente qualificados.
É nesses terrenos que se trava a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Os americanos lideram as ferramentas de IA e concentram as empresas que desenvolveram os principais modelos de fronteira, como OpenAI, Google, Anthropic e Meta. Também dominam a cadeia de semicondutores avançados indispensáveis à nova economia digital.
A China, por sua vez, acelera investimentos em infraestrutura energética e na própria indústria tecnológica para reduzir a dependência do Ocidente e disputar esse mercado.
O impacto da IA sobre o emprego e a renda ainda é incerto. Revoluções tecnológicas anteriores criaram mais ocupações do que eliminaram, mas a velocidade e a abrangência da inteligência artificial tornam essa transição diferente. Sua adoção em larga escala exigirá trabalhadores capazes de operar, adaptar e desenvolver essas ferramentas.
Nesse cenário, o Brasil corre o risco de ficar para trás na corrida. O país convive há décadas com um sistema educacional incapaz de formar profissionais qualificados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Além disso, não oferece energia competitiva nem infraestrutura adequada para atrair grandes investimentos em centros de processamento de dados.
O problema não está apenas na capacidade de geração, mas em tarifas elevadas, subsídios e distorções regulatórias que encarecem a eletricidade, além da dificuldade de assegurar oferta firme para operações ininterruptas.
O desafio brasileiro é empregar a IA para dar saltos de inovação. Como afirmou à Folha Mat Velloso, ex-executivo de Google e Meta, o país corre o risco de “voltar para 1500” se ficar à margem dessa transformação. A frase é hiperbólica, mas ressalta a rapidez com que a tecnologia ampliará a distância entre as economias que a incorporarem e as que apenas consumirem soluções externas.
Não faltam sinais de disseminação. Pesquisa da Fundação Itaú, do fim de 2025, mostrou que 84% dos estudantes e 79% dos professores usaram ferramentas de IA. O desafio, portanto, deixou de ser apenas o acesso e passou a ser transformar essa adoção em ganhos de produtividade.
O Brasil ainda dispõe de ativos importantes, como um grande mercado consumidor e matriz elétrica predominantemente renovável. Sem uma estratégia consistente para qualificar trabalhadores, melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos em infraestrutura digital, entretanto, continuará assistindo de longe à revolução tecnológica que definirá a competitividade das próximas décadas.

