InícioMundoBerlim discute homofobia e uso político de atentado - 26/07/2026 - Mundo

Berlim discute homofobia e uso político de atentado – 26/07/2026 – Mundo

Publicado em

spot_img

A população de Berlim cresceu neste fim de semana, com estimados 700 mil visitantes para o Christopher Street Day, a versão local da Parada LGBTQIA+, uma das maiores do mundo. Na noite deste domingo (26), contava com dois a menos. Abdul Ballout foi morto a tiros pela polícia menos de 24 horas após ter matado uma mulher e ferido ao menos 29 pessoas.

Ballout, 21, alemão filho de libaneses, era simpatizante do Estado Islâmico e tinha um histórico de extremismo e violência. Foi condenado a uma pena agora considerada branda, um ano e dez meses em liberdade condicional, e a obrigação de acompanhar um programa de desradicalização. Faria sua primeira nesta segunda-feira (27).

Pouco se sabe sobre a vítima. Os feridos estão fora de perigo. Em inúmeras manifestações, com milhares, com dezenas e às vezes solitárias, Berlim mostrou-se de luto neste domingo. Homenagens de todos os tipos brotavam em canteiros da cidade e nos caminhos arborizados do Tiergarten, um parque monumental, 210 hectares de uma quase floresta no meio da capital alemã —o Ibirapuera, como comparação, tem 158 hectares, em uma São Paulo com quase o dobro de área.

“Só hoje percebi o quanto estava triste e, ao mesmo tempo, com raiva. Também porque li muitos comentários de ódio nas redes sociais. Tanto contra pessoas queer como contra imigrantes muçulmanos”, afirmou Sergio Mazzolini, italiano há 13 anos em Berlim.

Ele e o marido estavam no show que acontecia em frente ao Portão de Brandemburgo, no sábado (25) à noite. O mote deste ano da festa era “tomar partido é sexy”. “De repente, tudo foi interrompido. Não foi dito o que estava acontecendo para não causar pânico. E, de fato, a evacuação ocorreu de forma muito tranquila. Mas, assim que vimos tantas ambulâncias, percebemos que algo grave havia acontecido“, contou.

Como boa parte da população berlinense, o casal só ficou sabendo do ocorrido já em casa, de madrugada. O aparato policial era imenso no evento e foi deslocado rapidamente para o local do ataque, fora da área protegida da festa. As autoridades ainda investigam como Ballout, com uma van branca provavelmente alugada, invadiu o Tiergarten ou se teve ajuda de comparsas. Um número não informado de pessoas foi detida para averiguação, mas ainda não é possível descartar que o jovem seria um lobo solitário.

A dinâmica do atentado também não foi completamente elucidada ainda. Ballout pegou caminhos de terra para alcançar uma alameda mais larga onde atropelou diversos pedestres. Por algum motivo, bateu forte em uma árvore. Saiu do carro e, provavelmente com um facão, continuou a agressão contra pessoas que estavam próximas.

Quando policiais a cavalo chegaram ao local, minutos após o início do ataque, o jovem fugiu. A caçada começou a quarteirões dali, na região da Potsdamer Platz, onde Ballout tinha endereço registrado. O prédio foi vasculhado por esquadrões antiterrorismo, assim como a casa da irmã, em um bairro mais distante.

No Tiergarten, quem podia ajudava quem precisava. No resto da cidade, o pedido das autoridades era simples: voltar para o hotel ou para casa. “Mudamos para cá para nos sentirmos mais seguras e para sermos mais abertas, mais do que em qualquer outro lugar. E fica essa sensação de que não dá para se sentir seguro em lugar nenhum, mesmo com toda a polícia”, afirmou Ira, uma estudante russa que pediu para não informar seu sobrenome.

Ela e a namorada, Anna, ainda não completaram seis meses de Alemanha. Assim como Sergio, participavam de uma das muitas manifestações realizadas na cidade neste domingo: uma marcha da Marienkirche, igreja evangélica que recebeu autoridades e vítimas do ataque na tarde deste domingo, até o Portão de Brandemburgo.

No cartão postal da capital alemã, operários e máquinas desmontavam o palco da festa interrompida. Centenas de policiais acompanhavam os manifestantes até uma calçada, onde flores, faixas, bandeiras do arco-íris e velas homenageavam as vítimas. “Vamos dançar novamente”, dizia um dos cartazes.

Nos pontos de ônibus, os painéis digitais alternavam comerciais com a foto de Ballout e instruções sobre como denunciar seu paradeiro. Mais ou menos na mesma hora, o filho radicalizado de imigrantes era cercado por agentes em Spandau, um subúrbio de Berlim há dez quilômetros do centro. Voltou a bradar o facão em um jardim comunitário. Foi morto a tiros.

“Acho injusto que os partidos de direita possam ganhar ainda mais apoio com isso, embora sejam parte do problema”, afirmou Sergio, quando indagado sobre o eventual uso político do atentado em um momento em que a Alemanha se prepara para eleições regionais. A AfD, sigla populista de extrema direita, lidera as pesquisas em dois estados e pode chegar ao poder em ao menos um deles.

De Friedrich Merz, primeiro-ministro, a Kai Wegner, prefeito, o dia foi de frases de indignação e de defesa da liberdade. Para Sergio, faltou às autoridades uma declaração mais incisivo sobre segurança pública e homofobia.

“Nós somos vítimas da extrema direita; e os muçulmanos, inimigos. As pessoas queer vêm logo em seguida, ou quase ao mesmo tempo”, disse o engenheiro, ilustrando o absurdo da situação. “Não vamos nos deixar oprimir, não vamos ceder nosso espaço tão facilmente. Há também uma grande parte da sociedade que pensa assim. Isso é o que me mantém são.”

Veja a matéria completa aqui!

Últimas Notícias

Vini Jr. em show de Zé Felipe? Presença inesperada surpreende o público

Zé Felipe levou o público ao delírio durante o show realizado na madrugada deste...

Maraisa perde a paciência e para show após laser ser apontado para o rosto de Maiara

Cantora parou a apresentação em Cardoso Moreira (RJ) para repreender uma pessoa da plateia...

Você compraria um cachorro-quente sem salsicha? Uma alegoria sobre a democracia

O voto não tem como objetivo eleger aquele que é mais capacitado para governar....

Com detalhe inusitado no focinho, filhote de Pitbull com Dálmata vive amizade improvável com hamster

Luna conquistou a internet com sua aparência única e personalidade encantadora. A cachorrinha nasceu do...

Veja Também

Vini Jr. em show de Zé Felipe? Presença inesperada surpreende o público

Zé Felipe levou o público ao delírio durante o show realizado na madrugada deste...

Maraisa perde a paciência e para show após laser ser apontado para o rosto de Maiara

Cantora parou a apresentação em Cardoso Moreira (RJ) para repreender uma pessoa da plateia...

Você compraria um cachorro-quente sem salsicha? Uma alegoria sobre a democracia

O voto não tem como objetivo eleger aquele que é mais capacitado para governar....