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Beatrice e Eugenie viram alvo em novo debate sobre privilégios

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Por Ana Claudia Paixão – via Miscelana

Durante anos, as princesas Beatrice e Eugenie ocuparam uma posição curiosa dentro da família real britânica. Filhas do ex-príncipe Andrew, um dos membros mais controversos da monarquia moderna, conseguiram escapar em grande parte do desgaste público provocado pelos escândalos do pai. Discretas, com carreiras próprias e longe das manchetes que frequentemente cercam os Windsor, pareciam representar uma espécie de caminho alternativo entre a vida real e a independência profissional.

Nas últimas semanas, porém, essa imagem passou a ser questionada.

Um relatório do National Audit Office (NAO), órgão responsável pela fiscalização de gastos e acordos envolvendo instituições públicas no Reino Unido, trouxe novos detalhes sobre os arranjos habitacionais da família real. Entre as revelações está a confirmação de que Beatrice e Eugenie vivem há anos em propriedades reais cujos custos são cobertos pelo rei Charles III, apesar de nenhuma das duas exercer funções oficiais em nome da Coroa.

Segundo o documento, Beatrice ocupa um apartamento no St James’s Palace, enquanto Eugenie mantém uma residência em Ivy Cottage, dentro do complexo de Kensington Palace. Embora existam contratos de aluguel, os pagamentos são feitos pelo Privy Purse, fundo privado do monarca alimentado pelas receitas do Ducado de Lancaster. Na prática, as princesas não arcam pessoalmente com os custos dessas propriedades.

A revelação gerou repercussão imediata porque ambas são adultas, casadas, possuem carreiras estabelecidas e não fazem parte do grupo de membros ativos da monarquia. Durante anos, a narrativa predominante foi a de que Beatrice e Eugenie haviam construído vidas independentes da instituição. O relatório, porém, sugere uma realidade mais complexa.

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Princesa Beatrice e Princesa Eugenie

Imagem: Reprodução

O momento é particularmente delicado porque as informações surgem em meio a uma investigação mais ampla sobre os arranjos financeiros ligados ao príncipe Andrew. O mesmo relatório trouxe questionamentos sobre propriedades associadas ao duque de York e reacendeu críticas sobre a transparência das finanças reais.

Mas a controvérsia vai além do dinheiro.

Há anos, Harry e Meghan afirmam que a família real aplica regras diferentes para pessoas diferentes. Quando anunciaram sua saída da monarquia em 2020, os Sussex propuseram um modelo híbrido que lhes permitiria continuar ligados à instituição enquanto desenvolviam atividades profissionais privadas. A resposta da rainha Elizabeth II foi categórica: não existia meio-termo. Ou alguém era um membro ativo da família real ou não era.

Desde então, aliados do casal frequentemente apontaram Beatrice e Eugenie como exemplos de uma zona cinzenta que parecia contradizer esse princípio. As duas mantiveram títulos, continuaram participando ocasionalmente de eventos familiares importantes e construíram carreiras fora da monarquia sem abrir mão de determinadas vantagens associadas ao status real.

Até agora, defensores da instituição argumentavam que a comparação era injusta porque as princesas não recebiam recursos destinados aos chamados working royals. O novo relatório, contudo, adiciona um elemento que fortalece a crítica dos Sussex: embora não desempenhem funções oficiais, continuam desfrutando de benefícios inacessíveis a Harry e Meghan desde sua saída do Reino Unido.

Isso não significa que os Sussex estivessem necessariamente corretos em todas as suas reivindicações. Tampouco sugere que Beatrice e Eugenie tenham cometido qualquer irregularidade. O que as revelações fazem é expor uma incoerência que a monarquia sempre teve dificuldade para explicar. Se não existe espaço para um modelo intermediário, por que alguns membros da família parecem viver exatamente nesse território entre o público e o privado?

A discussão ganhou ainda mais força neste fim de semana. Em meio às notícias sobre a gravidez de Eugenie, às especulações recorrentes sobre a vida pessoal de Beatrice e às revelações financeiras, as duas compareceram ao casamento do primo Peter Phillips, filho da princesa Anne. O evento reuniu diversos integrantes da família real e funcionou como uma demonstração de unidade em um momento delicado para os Windsor.

A ausência mais comentada, no entanto, foi justamente a de Harry e Meghan.

Segundo a imprensa britânica, o casal não participou da cerimônia e Harry sequer teria recebido convite. A decisão foi interpretada por muitos observadores como mais um sinal da distância que continua separando os Sussex do restante da família. Enquanto Beatrice e Eugenie permanecem integradas ao círculo interno dos Windsor, mesmo diante das recentes controvérsias, Harry e Meghan seguem do outro lado do Atlântico, afastados não apenas da instituição, mas também de encontros familiares que antes fariam parte de sua rotina.

Talvez seja essa a maior ironia da história. Durante anos, Beatrice e Eugenie foram vistas como as vítimas colaterais dos erros de Andrew. Agora, pela primeira vez, encontram-se no centro de um debate que toca diretamente uma das maiores questões enfrentadas pela monarquia contemporânea: quem tem direito aos privilégios reais e quais regras realmente se aplicam a todos os membros da família.

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Imagem: Divulgação

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