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As vitórias da direita na Colômbia e no Peru

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O mês de junho colocou a direita no poder em mais duas nações sul-americanas. Na conturbada apuração do segundo turno peruano, Keiko Fujimori não pode mais ser alcançada pelo esquerdista Roberto Sánchez. Na Colômbia, o advogado Abelardo de la Espriella derrotou o senador Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente, Gustavo Petro. Em ambos os casos, as vantagens foram mínimas, inferiores a um ponto porcentual, o que já levou a acusações de fraude por parte da esquerda – o próprio Petro fez afirmações nesse sentido. O presidente colombiano, aliás, abusou da hipocrisia ao criticar o norte-americano Donald Trump e o argentino Javier Milei por terem apoiado De la Espriella, enquanto ele mesmo se manifestava sobre a eleição peruana, afirmando que Sánchez havia sido o vencedor.

Assim como ocorreu em outra onda recente de vitórias direitistas, em eleições para os poderes Executivo e Legislativo na Europa, é preciso ponderar que na América do Sul também existem vários perfis diferentes. Keiko Fujimori, que está na quarta disputa eleitoral, é a herdeira política de seu pai, Alberto Fujimori, cujo legado é bastante ambíguo: seu governo, entre 1990 e 2000, ficou marcado pela estabilização econômica e pela derrota dos terroristas maoístas do Sendero Luminoso, mas também por um autogolpe em 1992 e condenações por corrupção e violação de direitos humanos. Por esse ângulo, poderia até ser mais apropriado falar em “fujimorismo” que em conservadorismo. De la Espriella, por sua vez, é um outsider que não tinha carreira política antes de se candidatar este ano; seu movimento político, o Defensores da Pátria, não tem nem dois anos de existência formal.

Assim como na Europa, há muitos perfis diferentes da direita na América do Sul

O principal ponto em comum entre os futuros presidentes de Peru e Colômbia é o discurso de combate à criminalidade – um calcanhar de Aquiles clássico da esquerda latino-americana. Dez anos depois dos acordos entre o governo colombiano e os narcoterroristas das Farc (assinado durante o governo de Juan Manuel Santos), De la Espriella criticou duramente a política de “paz total” de Petro, atacou o que chamou de “experimentos fracassados ​​de governos fracos” e defendeu a linha-dura contra as Farc e outros grupos guerrilheiros. Keiko Fujimori também fez da segurança um eixo central de sua campanha, em um país que viu a taxa de homicídios quase dobrar entre 2020 e 2025, além de um salto em casos de extorsão e a entrada de grupos do crime organizado transnacional latino-americano, como o venezuelano Tren de Aragua.

Keiko e De la Espriella também terão desafios políticos pela frente. O colombiano governará com um parlamento dividido. Senado e Câmara foram eleitos em março, e estão divididos em três grupos praticamente iguais em tamanho: a direita e seus aliados; a esquerda, hoje governo e que passará para a oposição; e os independentes, sem os quais o novo presidente colombiano não conseguirá aprovar suas propostas. O Peru vive anos de caos institucional desde que Pedro Castillo tentou um autogolpe frustrado em 2022, e acumulou interinos na presidência desde então – o último presidente eleito a completar o mandato foi Ollanta Humala, de 2011 a 2016. Sánchez, o candidato derrotado por Keiko, foi ministro de Castillo e defendeu um perdão ao ex-presidente, atualmente preso.

Países divididos ao meio politicamente, necessidade de composição parlamentar com o centro para governar, criminalidade em alta e alguns desafios mais particulares de cada nação (como o déficit público em alta na Colômbia) aguardam Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella. Vitórias eleitorais não são cartas brancas para um governante fazer o que bem entender, como aprendeu o chileno Gabriel Boric, que viu sua candidata ser derrotada pelo direitista José Antonio Kast por ampla margem no fim do ano passado. A transição chilena foi um bom exemplo de passagem pacífica de poder entre grupos políticos antagônicos, baixando a temperatura; peruanos e colombianos fariam bem em seguir o precedente.

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