Segundo Quirno, trata-se de “uma decisão unilateral do Brasil que lamentamos”, motivada por “diferenças políticas e ideológicas”. Apesar das divergências, o chanceler reforçou que “a Argentina decidiu não levar isso ao âmbito diplomático”, embora “o Brasil tenha todo o direito de decidir”.
Mais cedo, o governo argentino já havia publicado uma nota criticando a decisão “unilateral” do Brasil e afirmando que o país estaria “se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas”.
Na terça-feira, o governo Lula decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticascom a Argentina após ataques do presidente Javier Milei ao petista. O governo brasileiro determinou que seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retorne à capital argentina, reduzindo a representação brasileira ao nível de encarregado de negócios.
Bitelli foi chamado de volta ao Brasil no dia 27 de de julho, um dia após Milei chamar Lula de “presidiário” e Alexandre de Moraes de “lixo careca” durante a convenção que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
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Inicialmente, Lula evitou bater de frente com Milei, afirmando apenas que as declarações do argentino eram “absurdas”. Dois dias após a convenção de Flávio, Lula ironizou: “Quem é esse cara?”, respondeu ao ser questionado sobre as falas de Milei.
No domingo 2, Milei voltou a insultar o presidente Lula, com um reforço aos mesmos ataques que já havia feito. Em entrevista à emissora argentina LN+, Milei chamou Lula de “corrupto” e “ladrão”, afirmando que o petista “não é inocente” em meio a questionamentos sobre as decisões judiciais que anularam as condenações do mandatário brasileiro no âmbito da Operação Lava Jato. Ele também rejeitou as críticas do governo brasileiro e garantiu que não considera suas declarações agressivas.
“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, afirmou o argentino, que, na semana passada, veio a São Paulo para apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e fez um discurso inflamado no qual chamou Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”.

