A Justiça argentina acusou formalmente na segunda-feira (21) sete iranianos e um libanês por suposta participação no atentado contra a associação judaica Amia, em 1994, em Buenos Aires, mais um passo rumo a um possível julgamento.
Em 18 de julho de 1994, um carro-bomba destruiu a sede da Amia, deixando 85 mortos e 300 feridos.
Em 2025, a Justiça autorizou a possibilidade de submeter os responsáveis a um julgamento no qual os réus não precisam estar presentes.
“A decisão de cometer o atentado foi tomada em agosto de 1993 pelas mais altas instâncias do regime iraniano e sua execução foi confiada ao Hezbollah“, escreveu o juiz responsável pelo caso, Daniel Rafecas, em comunicado.
Os réus são sete pessoas que ocupavam altos cargos no Estado iraniano na época do ataque e um integrante do grupo terrorista libanês Hezbollah.
Entre eles está Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária do Irã, que na época comandava a Força Quds.
Também foram indiciados o então ministro da Inteligência iraniano, Ali Fallahijan; o ex-ministro das Relações Exteriores Ali Velayati; e o ex-embaixador iraniano na Argentina Hadi Soleimanpour.
O magistrado também determinou o bloqueio de bens no valor de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) para cada um.
A decisão aproxima o caso de um eventual julgamento oral.
A defesa, no entanto, ainda pode recorrer da acusação, e outras etapas processuais deverão ser cumpridas antes que o caso possa ser levado a julgamento. “Ainda falta todo um trâmite”, explicou Rafecas.
O juiz excluiu outros dois acusados do processo por falta de provas.
O presidente argentino, Javier Milei, comemorou a decisão nas redes sociais: “A moral como política de Estado”, escreveu, ao citar uma publicação do ministro da Justiça que informava sobre a decisão judicial.
O presidente é um aliado ferrenho do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que aponta o Irã como responsável pelo atentado. Além disso, Milei classificou o Irã como inimigo da Argentina, e foi durante seu governo que se aprovou a lei que autoriza o julgamento à revelia (sem a presença dos réus).
A lei “permitiu dar prosseguimento ao processo penal apesar de os acusados estarem foragidos, assegurando-lhes o direito a um defensor e preservando todas as demais garantias do devido processo legal”, afirmou Rafecas em seu comunicado.
Os autores carregaram uma van com explosivos e a fizeram explodir contra o prédio da organização judaica.
Rafecas classificou o atentado como “um crime contra a humanidade, bem como genocídio nos termos do direito internacional”.
Dois anos antes, outro atentado contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires deixou 22 mortos. Rafecas afirmou em sua decisão que existe uma possível ligação entre os dois ataques.

