
O tráfego marítimo começou a ser retomado no Estreito de Ormuz nesta quinta-feira, 18, após o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar as hostilidades que haviam comprometido uma das rotas energéticas mais estratégicas do mundo.
Dados da plataforma de monitoramento MarineTraffic mostram que ao menos sete embarcações cruzaram o estreito desde o início do dia. Entre elas estão quatro navios cargueiros, um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) de bandeira francesa e um navio-tanque de betume registrado nas Ilhas Cook.
No sentido oposto, o navio Starway, de bandeira panamenha, entrou na via marítima em direção ao Golfo Pérsico. Com capacidade para transportar mais de 46 mil toneladas de petróleo, a embarcação chamou a atenção por ter desligado o Sistema de Identificação Automática (AIS), mecanismo utilizado para rastrear e monitorar navios em tempo real.
A desativação do transponder, que dificulta a localização das embarcações, tornou-se mais frequente desde o fechamento de fato do estreito, ocorrido em meio à escalada das tensões entre Teerã e Washington.
A reabertura da rota é considerada uma das principais medidas previstas no memorando de entendimento firmado entre os dois países. Durante o conflito, o Irã interrompeu na prática a circulação de navios pela passagem, responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente e de volumes significativos de gás natural.
Pelos termos do acordo, a navegação deverá ser restabelecida gradualmente até atingir os níveis observados antes da guerra. Paralelamente, o Irã e os países do Golfo discutem um novo modelo de administração do estreito. Entre as propostas em análise está a possibilidade de Teerã cobrar taxas pelo uso da rota estratégica.
O bloqueio de Ormuz provocou forte apreensão nos mercados internacionais e contribuiu para a disparada dos preços do petróleo nas últimas semanas. A retomada da circulação de embarcações é vista como um dos primeiros sinais concretos de estabilização da região e pode ajudar a reduzir as incertezas sobre o abastecimento global de energia.

