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Análise: Indústria da IA mascara desigualdades na economia americana

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No Richmond Neighborhood Center, em São Francisco, Estados Unidos, mais de 200 pessoas estão na lista de espera para o banco de alimentos da região. O centro fica a poucos quilômetros a oeste do “AI Alley”, onde um polo de grandes empresas de inteligência artificial recebe bilhões de dólares em investimentos e paga altos salários aos funcionários — o que, por sua vez, faz disparar os preços dos imóveis e os valores dos aluguéis.

São Francisco é um exemplo claro de como a indústria de IA, em plena expansão, ajuda a impulsionar o crescimento econômico de forma mais ampla, mas mascara a desigualdade econômica que afeta famílias de baixa e média renda.

A cidade também reflete padrões observados em escala nacional: nos três primeiros meses do ano, a economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada sólida de 2,1%, impulsionada em grande parte pelo aumento dos investimentos das empresas em IA, segundo dados do Departamento de Comércio.

No entanto, a confiança do consumidor permanece em níveis próximos aos mais baixos da história devido à disparada de preços associada à guerra no Oriente Médio; além disso, o quarto da população americana com as rendas mais baixas registrou o menor crescimento salarial entre todos os grupos de renda neste ano, segundo o Federal Reserve Bank de Atlanta.

“As desigualdades no bairro só têm aumentado cada vez mais”, disse à CNN Yves Xavier, diretor de programas comunitários do Richmond Neighborhood Center. “Não podemos estabelecer uma relação de causa e efeito direta com a IA e afirmar “é exatamente isso”, pois o processo já vem ocorrendo há algum tempo; mas não é preciso ser um gênio para perceber como isso está ampliando as desigualdades em uma cidade que já enfrenta esses problemas”.

Ele acrescentou que a demanda pelo banco de alimentos da organização sem fins lucrativos aumentou cerca de 10% este ano.

A disparidade de condições entre os americanos mais pobres e os mais ricos surgiu como um tema central na economia dos EUA, e especialistas afirmam que a IA desempenha um papel significativo nesse cenário.

Os bilhões de dólares investidos na indústria de IA criaram um grupo de profissionais muito bem remunerados em polos tecnológicos de todo o país — incluindo São Francisco, Nova York, Seattle, Los Angeles, San Jose e Washington, D.C. —, segundo um relatório da Oxford Economics. Esses trabalhadores integram a parcela dos 10% mais ricos dos EUA que, por meio de seus gastos, impulsiona cada vez mais o crescimento econômico do país — sendo responsáveis ​​por até 62% desse crescimento, de acordo com a Moody’s.

A SpaceX estreou em Wall Street no mês passado com a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada. A empresa vale agora mais de US$ 2,1 trilhões. Gigantes da IA ​​como a OpenAI e a Anthropic, ambas sediadas em São Francisco, também se preparam para os próprios IPOs, o que acrescentaria trilhões em valor de mercado. Além disso, empresas de São Francisco respondem por quase dois terços do financiamento global em IA, de acordo com a empresa de dados Crunchbase.

Entre os que estão perdendo espaço estão vastas parcelas da população americana: recém-formados que enfrentam dificuldades para encontrar emprego; americanos de baixa renda que continuam acumulando dívidas ao sentirem o impacto da inflação mais alta; e até mesmo trabalhadores das indústrias criativas, segundo Manuel Pastor, diretor do Equity Research Institute da Universidade do Sul da Califórnia.

Enquanto isso, o abismo entre o crescimento econômico mais amplo impulsionado pela IA e a realidade vivida por milhões de americanos continua a aumentar.

“As desigualdades aqui são muito, muito acentuadas”, disse Xavier, referindo-se a São Francisco.

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