A eleição do empresário de ultradireita Abelardo de la Espriella à Presidência da Colômbia, conforme resultados preliminares, reforça uma tendência recente a governos conservadores na América Latina.
Na maioria dos pleitos dos últimos três anos, altamente polarizados e concorridos, as candidaturas de centro esvaziaram-se e, não raro, gestões de esquerda foram derrotadas nas urnas. Houve triunfos à direita em Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia, Equador, El Salvador, Costa Rica, Honduras, República Dominicana e Panamá —sem falar no Peru, onde o resultado ainda não é oficial.
Há diferentes matizes entre esses vitoriosos —de populistas e radicais liberais a conservadores comedidos, de novatos na política a velhas raposas, além de governantes de traços autoritários como Nayib Bukele, de El Salvador, e Daniel Noboa, do Equador.
Porém os compromissos de combate à criminalidade, em franca expansão na região, são um ponto comum de suas promessas de campanha, assim como a simpatia pela política de segurança pública dos EUA de Donald Trump para a região.
A esquerda continental historicamente demonstra dificuldade em propor ao eleitorado soluções críveis para o tema.
O fracasso da política de “paz total” com as guerrilhas narcotraficantes promovida pelo primeiro presidente de esquerda da Colômbia, Gustavo Petro, prejudicou seu candidato, Iván Cepeda. No Chile, o desembarque de gangues no país contribuiu para a eleição do ultraliberal José Antonio Kast como sucessor do esquerdista Gabriel Boric.
As políticas repressivas do salvadorenho Bukele, que está em seu segundo mandato, tornaram-se referência para a agenda linha-dura no continente.
No campo econômico, ficou para trás o boom dos preços de produtos primários de exportação que favoreceu governantes de esquerda na primeira década do século. A gestão perdulária dessa bonança resultou, posteriormente, em desastres econômicos na Argentina e, em níveis extremos, na Venezuela chavista.
Principal exceção ao cinturão de direita na América do Sul, o Brasil terá neste ano mais um embate eleitoral entre o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo, agora representado pelo primogênito Flávio (PL).
Ao norte, a maior fortaleza da esquerda é o México de Claudia Sheinbaum, eleita em 2024 com apoio do antecessor, Andrés Manuel López Obrador.
Deve-se notar que a onda de direita não é avassaladora —em boa parte dos casos, as disputas foram acirradas ou, como ora se dá no Peru e na Colômbia, decididas por margem mínima.
Trata-se de uma polarização ideológica que preserva oposições fortes e aguerridas, descambando, por vezes, para crises de governabilidade como no Peru e na Bolívia. As instituições e o convívio democrático, ao que parece, continuarão sendo testadas na América Latina.

