Redação Tribuna do Norte
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Anunciado como vice de Ronaldo Caiado (PSD) na disputa à presidência da República, Gilberto Kassab (PSD) manterá o apoio a Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição de São Paulo, ainda que o governador e pré-candidato à reeleição apoie Flávio Bolsonaro (PL) para o Planalto. Os dois tomaram café no último domingo no Palácio dos Bandeirantes e ficou acertado que, para selar a aliança, Tarcísio deve participar da convenção estadual do PSD, que ocorrerá no fim do mês.
Kassab deve sugerir a dobradinha “Caiado presidente, Tarcísio governador” em São Paulo, segundo afirmou em coletiva de imprensa após o anúncio da chapa, realizado em Brasília na manhã desta quarta-feira (1º).
“Em São Paulo, o Caiado está correndo o estado, já fizemos mais de 15 visitas e em todas elas a gente leva o nome Caiado presidente e Tarcísio governador, porque para o Brasil e para São Paulo é importante a reeleição do Tarcísio. E sabemos que o candidato do Tarcísio é o Flávio Bolsonaro, não é o Caiado, e tem a nossa compreensão, não tem crise nenhuma. A convenção do PSD vai ocorrer no dia 26 de julho em São Paulo, tanto a estadual quanto a nacional.”, falou.
O governador vai participar somente do evento para as definições da chapa estadual.
Como Kassab está numa chapa nacional diferente da apoiada por Tarcísio, a participação do presidente do PSD no palanque do mandatário estadual ainda é incerta. Entretanto, nas redes sociais Kassab deve apoiar Tarcísio, e nos “santinhos” e material publicitário, o partido vai estar junto ao governador, e a participação no evento partidário será a maior sinalização pública da aliança.
O café da manhã no Palácio dos Bandeirantes, ocorrido no último domingo, marcou a reconciliação entre Tarcísio e Kassab, que estavam afastados desde que o líder do PSD deixou o governo, em março. Kassab foi secretário de Governo de Tarcísio, e o ajudou sobretudo na relação com os prefeitos do estado.
Entretanto, no fim do ano passado a relação ficou ameaçada quando Kassab ouviu do vice-governador Felício Ramuth, na época seu correligionário, que ele não abriria mão do posto que ocupa na campanha à reeleição. Kassab esperava ser indicado como vice de Tarcísio. Sua ideia era, a partir da cadeira e em caso de nova vitória de Tarcísio, ser candidato natural à sua sucessão em 2030. Como consequência do rompimento, o presidente do partido pediu que Ramuth se desfiliasse, e o vice trocou o PSD pelo MDB no fim de março.
De lá para cá, o governador e o agora vice de Caiado estavam distantes, mas com a aproximação do início da campanha eleitoral, os dois decidiram sentar e definir como seria a participação do PSD. Além da presença na convenção e da dupla “Caiado-Tarcísio” citada por Kassab, os parlamentares e prefeitos do partido em São Paulo também poderão estar no palanque do governador.
Chapa ‘puro sangue’
Nesta quarta, Caiado formalizou Kassab como seu candidato a vice-presidente. A maior parte dos governadores do PSD se ausentou do evento em que o anúncio foi feito, mas parte dos parlamentares da sigla, como o líder do partido na Câmara, Antonio Brito (BA), esteve presente.
A definição encerra semanas de negociações dentro do PSD. Embora dirigentes tenham discutido a possibilidade de buscar um nome de outra legenda para ampliar o arco de alianças, ganhou força entre integrantes da cúpula a avaliação de que Kassab reunia mais condições de fortalecer a candidatura neste momento.
O PSD enfrentou dificuldades para atrair outros partidos, ainda que tenha tentado uma composição com o MDB, que deve ficar neutro na disputa presidencial. Também foi avaliada uma composição com a federação União Brasil-PP, mas o grupo de legendas descartou um acordo com Caiado desde o início. Apesar disso uma parte da legenda, como o pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), acena como um apoio a Caiado no primeiro turno.
A aposta inicial do PSD era ampliar o tempo de televisão, aumentar a estrutura partidária da candidatura e atrair novos aliados antes das convenções. As dificuldades para costurar uma aliança com União Brasil e PP, somadas à necessidade de fortalecer a candidatura dentro do próprio PSD, levaram Caiado a optar pelo próprio presidente nacional da legenda.

