Redação Tribuna do Norte
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00h11

Outro dia, depois de avisar que já estava a caminho, chegou aqui um boêmio. Veio brabo, mas sem novidades. Provocado, disse não tê-las. E avisou: não há nada de novo nesta terra: “Aqui vivemos sitiados pelas mesmas conspícuas nulidades”. Pediu um copo alto, encheu de gelo até a borda e derramou o uísque para que todas as pedras flutuassem. Sem que ninguém perguntasse nada, disse: “Aprendi isto com Vinícius de Morais. O copo baixo é um modismo tolo e sem graça”.
E ficou ali, ouvindo mais do que falando. Perguntado se poderia contar essa sua mania, foi peremptório: “Pode, sem citar meu nome”. E disse, sacando superlativos sonantes e abusados, que não dava cabimento aos desafetos “nesta cidade de pouquíssimos sábios e muitíssimos sabidos”. Ao reclamar da mediocridade da campanha política que vem, atirou: “Nunca a palavra viveu de um jeito escancaradamente tão vil e tão pobre. Verdadeira afronta à grandeza do espírito público”.
E ficamos assim, ele no ritmo dos bons bebedores. Sem aquela pressa ansiosa dos amadores nem uma lentidão que parecesse remorso. Goles gordos, uma ou outra espetada, aqui e ali, numa azeitona verde, e só. Contou o desastre da entrevista que ouviu numa emissora local. Um torneio artificial que demonstrou “a estreiteza do entrevistado e dos entrevistadores”. Reclamou do que chamou de o vício do combinemos: “A entrevista é reveladora e flagra fácil gostos e desgostos”.
Aliás, foi ai que provoquei, lembrado das falsas iras, feitas de isopor, fofas como bolo de ovos. Foi o suficiente para sacar desaforos, agora contra o jornalismo militante que tomou conta dos programas políticos. Acabam, na sua visão, contra ou a favor. Um falso jornalismo de santos e demônios, acentuou. “O maniqueísmo da política contaminou o jornalismo. Uns tem horror a Bolsonaro e outros horror a Lula. Jornalista não é um agente, porta-voz só do bem ou do mal”.
O político não precisa mais ser bom construtor de sua história e essa pobreza tem levado o marketing a inventar enredos que não refletem as práticas políticas e suas posições artificiais, como santos e demônios. São falsos. Nem santos, nem demônios. A propaganda não conta histórias verdadeiras. Inventa. Faz uma colagem de efeitos: “Como dizem o que o marketing manda dizer, assumem já esquecidos do que disseram, sem compromisso com a palavra. São uns blasfemos”.
E continuou: “Na tela, eles são perfeitos nas formulações só repetindo o que foi ensinado. Terminada a campanha, é como se aquela inteligência desaparecesse e voltam a ser como são. Para ele, não é justo exigir a democracia que nunca praticaram, mesmo que tenham desempenhado bem o papel. Foi quando tomou o último gole da terceira dose. Não houve jeito de ficar mais um pouco. Chamou o motorista, mas antes gozou os que ficaram, dizendo: “Está na hora de comprar o pão”.
PALCO
GOL – Partiu do Sinduscon e não do planejamento do prefeito Paulinho Freire proposta de um plano para enfrentar as quarenta obras hoje paralisadas em Natal já na quase metade da sua gestão.
PROVA – O episódio, além de mostrar a visão do Sindicato da Construção Civil, revela sobretudo que não faltam ideias, mas determinação. Além, e já ficou evidente, da ausência de boa vontade.
BONITO – A alegria dos brasileiros, um povo ainda feliz, explode em alguns dos maiores estádios do mundo. E fica provado que esse grande povo não é escravo da pobreza de sua classe política.
MALDITOS – Pronto, mas em versão e-book, o novo livro de Cid Augusto – “Poetas Malditos, pornografia, escárnio e maldizer na Terra dos poetas”. Será lançado também na forma impressa.
DETALHE – Depois da antologia ‘Uns Fesceninos’, organizada por Oswaldo Lamartine e lançada originalmente, pela Artenova, Rio, 1970, é a segunda grande reunião da poesia erótica neste RN.
RAIVA – Do Lobo Guará, direto do Senadinho: “Álvaro e Alysson não sabem contestar. Declaram com raiva e não com absoluta frieza cerebral”. E completou: “A ira é sempre uma má conselheira”.
POESIA – Da poetisa Maria Lúcia dal Farra, no seu poema ‘Adeus’, do ‘Livro de Erros”: “Todos testemunhavam a minha existência / calados, atentos / cientes. / Em que monturo ficou tudo?”.
DIGITAL – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama: “Quando um político, por algum motivo, acima de partidos e ideologias, pune a competência, não é um líder. É apenas um chefe.
CAMARIM
RICO – O Brasil é um país riquíssimo. Se o leitor quer uma prova, basta fazer a leitura, na edição três mil da Veja: “A Eleição de 56 bilhões de reais”. Está lá: “Combinação de fundos generosos e apetite crescente por emendas parlamentares”. É um recorde de dinheiro nas mãos dos políticos.
QUADRO – O levantamento do jornalista Bruno Coniato, mostra ser uma escalada que começa em 2015 e revela, em números, um aumento de apenas 0,45%, e, em 2026, chega a uma elevação de gastos da ordem de 49,9%. Uma afronta a um país marcado por profundas desigualdade sociais.
CASCUDO – A diretora do Instituto Ludovicos que preserva, cuida e promove a vida e a obra de Câmara Cascudo, vai promover uma solenidade dia 30 de julho para marcar os quarenta anos da morte do maior intelectual deste Rio Grande do Norte. Na UFRN, a cerimônia só será em agosto.
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