Quando o mês de junho chega, basta olhar ao redor para encontrar um elemento em comum entre os festeiros: a roupa xadrez. Presente em camisas, vestidos e até acessórios, a estampa virou praticamente um uniforme das festas juninas. Mas a tradição vai muito além da estética e reúne influências que atravessam séculos, continentes e diferentes culturas.
A padronagem xadrez tem origem no tartã escocês, utilizado há séculos para identificar clãs e famílias na Escócia. Foto: Reprodução.
Embora muita gente associe o xadrez diretamente ao São João, sua história começou bem longe do Brasil. A padronagem, conhecida como tartã, surgiu há centenas de anos entre povos celtas e ganhou força na Escócia, onde cada combinação de cores identificava um clã.
Diferente de hoje, onde usamos a estampa puramente por estilo, na época o tecido funcionava como uma identidade visual obrigatória de grupos familiares e territoriais, sendo utilizado principalmente em kilts , as tradicionais saias escocesas.
Essa relação com a tradição permanece viva até hoje: na Escócia contemporânea, o uso de roupas com a padronagem específica do seu clã ou região ainda é comum em eventos formais e celebrações, mantendo a conexão histórica da estampa com suas origens.
Com o passar dos séculos, o tecido ultrapassou as fronteiras escocesas, foi incorporado pela moda internacional e passou por diferentes releituras, chegando a representar desde a elegância clássica até movimentos de contracultura, como o punk nos anos 1970.
Como o xadrez chegou às festas juninas?
As festas juninas têm origem nas celebrações europeias realizadas durante o solstício de verão e foram trazidas ao Brasil pelos portugueses durante o período colonial. Com o tempo, a tradição incorporou elementos da cultura brasileira, especialmente das regiões rurais.
Nesse contexto, o xadrez passou a ser associado ao vestuário utilizado no campo. Camisas confeccionadas com essa padronagem eram comuns entre trabalhadores rurais, principalmente por serem resistentes e práticas para o dia a dia.
Ao representar o universo caipira nas quadrilhas e nos festejos, a padronagem foi incorporada ao figurino típico e se consolidou como um dos principais símbolos da comemoração.
O traje junino vai muito além da camisa xadrez
Apesar da fama da estampa, o figurino tradicional é um verdadeiro mosaico de elementos. Longe de ser um uniforme rígido, o traje junino permite que cada pessoa imprima sua própria identidade, equilibrando a herança histórica com a criatividade pessoal.
Nas roupas femininas, predominam vestidos de chita, rendas, babados, mangas bufantes e fitas coloridas. Já os homens costumam usar a clássica camisa xadrez, calça jeans ou de tecido, lenço no pescoço, botas e chapéu de palha.
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Como o Brasil é um país de dimensões continentais, as escolhas também variam: no Nordeste, tecidos mais leves ajudam a enfrentar o calor, enquanto no Sul, peças de flanela ganham espaço no inverno.
Esse conjunto de influências cria um visual que, hoje, transita com naturalidade até para o street style, provando que a versatilidade é a alma do estilo junino.
Incorporada ao figurino das festas juninas, a estampa passou a representar o universo rural retratado nas tradicionais quadrilhas. Foto: Agência Brasil.
Símbolo da identidade cultural brasileira
Mais do que uma escolha de vestuário, usar roupas xadrez durante as festas juninas é uma forma de manter viva uma tradição que atravessa gerações.
Ao longo do tempo, a estampa passou a representar não apenas o universo das celebrações de São João, mas também a valorização da cultura popular, das raízes rurais e das manifestações típicas de diferentes regiões do Brasil.
Mesmo com as mudanças na moda e nas comemorações, o xadrez continua sendo um dos principais símbolos das festas juninas.
Presente em arraiais, quadrilhas e celebrações por todo o país, ele reforça a identidade cultural da festa e mostra como tradições antigas podem permanecer atuais sem perder seu significado.
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